Sem Dor, Sem Ganho | Crítica do filme

Sem Dor, Sem Ganho | Crítica do filme

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Se você é um rato de academia certamente deve conhecer a expressão “No Pain, no Gain”. É um termo usado no halterofilismo que quer dizer que sem se fazer um esforço que não gere uma dor não haverá ganho de massa muscular.  Sem Dor, Sem Ganho é também o título do novo filme de Michael Bay (Transformers) e que tem no elenco Mark Wahlberg, que desde Ted, o filme do ursinho boca suja, ganhou 18 kg de massa muscular para poder encarar seu personagem Daniel Lugo. Se você for ao cinema da mesma forma qu fui, sem saber exatamente do que se trata a história imaginará que a trama será embasará nesse universo de academias e super valorização da beleza e saúde física, porém, o longa faz um paralelo muito interessante com a necessidade que algumas pessoas possuem de chegar logo ao topo, não importando as consequências.

Certamente algum dia um amigo ou parente deve ter chegado até você falado que descobriu uma forma ideal de como trabalhar pouco e se ganhar muito, os conhecidos negócios de pirâmides. Esse segmento é uma espécie de culto que faz uma lavagem cerebral no qual muitas pessoas infelizmente ainda caem. Esse é o estopim do filme que faz o personagem de  Mark Wahlberg criar seus três passos para o sucesso e abandonar seu cotidiano para entrar no mundo do crime.

O filme é uma resposta que Michael Bay dá à crítica no qual o julga apenas como um diretor de efeitos visuais. Apesar dele não abandonar as explosões (ele não resistiu e colocou uma no meio do filme…) o longa tem um dinamismo que faz o tempo todo o narrador mudar. É como se estivéssemos ouvindo o depoimento daquelas pessoas que se viram de alguma forma envolvidas nos acontecimentos que passaram entre 1994 e 1995.

A figura dos ” fortões” é retratada não como o tema principal, mas sim por uma característica física e psicológica de seus personagens, já que esses fazem uso de anabolizantes e substâncias ilegais para serem “grandes”. O filme deixa bem explícito que o psicológico dessas pessoas ficam alterados devido o uso de tais substâncias e que o descontrole que elas possuem ao encarar determinadas situações são provenientes das drogas.

O diretor também opta por colocar diversas interferências textuais no meio da projeção. Tal recurso é usado como um método de humor e de conversa do próprio Michael Bay para seu público. Em um determinado momento ele quer nos alertar que apesar dos absurdos que estamos assistindo não devemos esquecer que aquilo não é uma ficção e sim uma história real.

Não posso terminar o texto sem citar a quantidade de referências que o filme faz a ícones do cinema e cultura pop. O personagem de Mark Wahlberg faz diversas menções ao filme O Poderoso Chefão mostrando que Don Corleone é seu exemplo a ser seguido. A personagem de Bar Paly (Sorina Luminita) faz uma referência bem interessante a Uma Linda Mulher, e só mostra o quanto aquelas pessoas foram influenciadas pelos veículos de entretenimento: “Se Julia Roberts conseguiu, eu também consigo”.

Pra mim, Sem dor, Sem Ganho é o azarão da temporada e não ficarei surpreendido que ele seja retratado como o Argo do ano. Difícil de acreditar que Michael Bay seria o responsável pela a história que mais me envolveu nessa leva de filmes menos blockbusters. De uma forma bem humorada conta a história absurda de assassinatos e sequestros que deixam o público num sentimento dúbio de raiva e compreensão para aqueles coitados vítimas do sonho americano da perfeição.