Sol da Meia Noite | Crítica do Filme

Sol da Meia Noite | Crítica do Filme

 

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Sinopse:
Katie (Bella Thorne) é uma jovem de 17 anos que vive protegida dentro de sua casa desde a sua infância. Confinada no local durante os dias, ela possui uma rara doença que faz com que a menor quantidade de luz solar seja mortal. Sua situação muda quando seu destino se cruza com o de Charlie (Patrick Schwarzenegger) e eles iniciam um romance de verão.Diretor:
Scott SpeerElenco:

Bella Thorne, Patrick Schwarzenegger, Rob Riggle, Quinn Shephard, Nicholas Coombe, TIra Skovbye

Data de estreia:
14 de junho de 2018

Aqueles que dizem não exisitir uma “fórmula” para se fazer um filme claramente nunca assistiram a um filme preguiçoso. Existem sim, diversas “fórmulas” e diretrizes que podem conceber um filme. A real habilidade está em utilizar estas estruturas ao seu favor e em favor da história que está sendo contada, de maneira inovadora e substancial. “Sol da Meia Noite” é um típico filme de romance adolescente que não apenas teme fugir dos clichês do gênero, como raramente se dispõe a ir além de construções génericas e superficiais do cinema comercial como um todo.

A começar pela protagonista da história, interpretada por Bella Thorne. Portadora de uma doença degenerativa extremamente perigosa, a personagem é proibida de ser tocada pela luz do sol, e se restringe a observar as pessoas passando pela rua, incluindo um rapaz que já lhe chama a atenção há anos (interpretado por Patrick Schwarzenegger). Embora a condição da personagem sirva de base para construir suas circustâncias, são raros os momentos em que vemos algum traço dos efeitos psicológicos que estas circustâncias obviamente gerariam em uma adolescente.

Uma atriz famosa pela sua aparencia atraente, Thorne caminha por entre as cenas prezando interpretar a insegurança da personagem, mas está longe de realmente retratar a adolescente sobrecarregada e “fora dos padrões” que o roteiro evidentemente pretendia. O mesmo poderia se dizer do jovem Schwarzenegger, se sua construção e seus díalogos não fossem ainda mais fracos do quê os dados a protagonista.

Voltando as tais “fórmulas” que podem ser observadas no cinema atual, existe uma abordagem (muitas vezes equivocada) presente em filmes direcionados ao público adolescente, onde se vê necessária a inclusão de músicas “pop” extremamente palatáveis para estender o alcance e a presença da história com o público. A abordagem já se demonstrou eficiente diversas vezes, mas perde todo o seu potencial quando empregada a uma história superficial e pouco memorável. Em “Sol da Meia Noite”, diversos momentos musicais tentam capitalizar em cima da emoção de cenas específicas ou da trama como um todo, mas acabam parecendo tentativas forçadas em meio a sentimentos pobremente explorados.

Esta falta de exploração dos personagens e da trama em si me parece o resultado de hesitações do roteiro durante suas construções. Novamente usando a protagonista de exemplo, é díficil manter uma empatia engajante com a personagem devido a sua falta de aprofundamento. A não ser por seu nervosismo e insegurança (o mínimo, dadas as circustâncias, convenhamos), a personagem não possui quaisquer defeitos morais ou reflexões equivocadas. O romance central, de maneira semelhante, também não apresenta muitos traços de verossimilhança capazes de atrair a identificação do público.

Por um lado positivo, salvam-se os coadjuvantes do filme. Muito mais carismáticos, interessantes e relacionáveis do quê o casal principal, o pai e a melhor da amiga da protagonista comandam os pontos altos da história.

Compreendo que“Sol da Meia Noite” é um filme feito, propositalmente, com intenções pouco desafiadoras ou criativamente estimulantes. Direcionado ao público adolescente casual, a ideia é que o apelo do gênero fale por si só, e os espectadores se conectem com os belos protagonistas, nem que por mera admiração. No entanto, diversas produções para o público mais jovem provam (e com louvor) que uma história bem construída e personagens memoráveis sempre perdurarão com mais facilidade.

A não ser que o espectador de“Sol da Meia Noite” seja do tipo que não costuma nem conferir as atrações da “Sessão da Tarde”, haverá muito pouco há ser descoberto e aproveitado por aqui.