Soundtrack | Crítica do Filme

Soundtrack | Crítica do Filme

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Sinopse:

Decidido a realizar uma exposição de arte, o fotógrafo Cris (Selton Mello) viaja até uma estação de pesquisa polar para se isolar e tirar selfies que capturem as sensações causadas por uma série de músicas pré-selecionadas. No local, ele conhece o botânico brasileiro Cao (Seu Jorge), o especialista britânico em aquecimento global Mark (Ralph Ineson), o biólogo chinês Huang (Thomas Chaanhing) e o pesquisador dinamarquês Rafnar (Lukas Loughran). Os cinco precisam conviver juntos e descobrem diferentes perspectivas sobre a vida e arte.

Diretor: 300ml

Elenco: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr., Marisa Tomei, Jon Favreau, Gwyneth Paltrow, Zendaya, Donald Glover, Jacob Batalon, Laura Harrier e Tony Revolori

Estreia:

15 de Julho de 2017

 

 

Uma grata surpresa de meio de ano, Soundtrack pode não ser um filme muito acessível ao público casual, mas com certeza merece ser visto por todos aqueles que se dispuserem a prestar atenção em uma história sobre um fotógrafo que resolver ir tirar selfies no meio da neve.

Uma produção brasileira, dirigida pela dupla carioca Manitou Felipe e Bernardo Dutra (que formam o selo “300ml“), Soundtrack tem reflexões profundas e metáforas amplamente interpretáveis, expostas através de um ritmo bem lento e natural, procurando emular o máximo possível da relação entre estes cientistas isolados do mundo, e o recém-chegado fotógrafo brasileiro.

Graças a este ritmo lento e um cenário pouquíssimo variado, temos aqui um daqueles filmes onde o foco é atuação e as interações entre os personagens. o elenco internacional entrega ótimas performances, com destaque, é claro, para Ralph Ineson que interpreta o pesquisador inglês cuja dedicação ao trabalho o impede de voltar para casa, onde sua família o espera.

 

 

Selton Mello interpreta Cris, este fotógrafo que pretende tirar fotos na neve enquanto ouve músicas, e em seguida criar uma exposição onde as pessoas poderão ouvir a mesma música que ele estava ouvindo, enquanto apreciam as fotos. Tal ideia é sempre questionada pelos colegas cientistas, que expõem a sua objetividade e pragmatismo acima de tudo. Eis que surge o interessante debate central do filme, sobre a maneira como a arte é capaz de afetar a sociedade, além do artista em si. Claramente confortável com o papel, o ator está impecável.

Também brasileiro, o personagem de Seu Jorge serve como “escape” para a pressão sentida por Cris, além  de proporcionar excelentes momentos de alívio cômico que contribuem para a construção delicada da relação entre todos os personagens. A maneira como cada um se enxerga e aos outros é essencial para representar o “micro-cosmo” que o filme procurar explorar, tornando sempre possível traçar paralelos com a sociedade atual e nossas relações pessoais.

 

 

Eis que com o nome “Soundtrack”, a trilha sonora do filme é ilustrativa de uma maneira bem objetiva. Ao invés de acompanharmos as obras de Cris, estamos na verdade, focados na situação ao redor. Nas relações dos personagens e como elas afetam a obra em si. São temas constantes e marcantes que se tornam essenciais para compor a sensação pretendida pelo filme, ou seja, exatamente aquilo que uma trilha sonora deve fazer, por definição. Uma certa ironia pode ser notada entre as intenções de Cris e as intenções do filme.

O filme traz reflexões interessantes, as vezes contemplativas demais ou de menos (para o meu gosto), mas não deixa de ser uma ótima adição ao nosso catálogo nacional, muito bem atuada e dirigida, e com cuidados especiais que costumam tornar um filme como este, algo especial e digno de ser apreciado.