Todo o Dinheiro do Mundo | Crítica do Filme

Todo o Dinheiro do Mundo | Crítica do Filme

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Sinopse:
Itália, 1973. John Paul Getty III (Charlie Plummer) é o neto do magnata do petróleo J. Paul Getty (Christopher Plummer). O sequestro do rapaz coloca a sua mãe, Gail Harris (Michelle Williams), em uma corrida desesperada para tentar convencer o bilionário ex-sogro a pagar o resgate, de US$ 3 milhões.Diretor:
Ridley Scott

Elenco:
Christopher Plummer, Michelle Williams, Mark Whalberg, Charlie Plummer, Timothy Hutton

Data de estreia:
1 de Fevereiro de 2018

Quando os indicados para o Globo de Ouro foram anunciados, muitos estranharam a presença de Ridley Scott entre os indicados para “melhor diretor” pelo filme “Todo o Dinheiro do Mundo”, que acabava de ter sido lançado nos Estados Unidos. Muitos disseram que a escolha fazia parte da “tradição” de se indicar um dos diretores “de sempre”, mas também houveram aqueles que apontaram a possibilidade da indicação ter vindo por conta da incrível eficiência de Scott como diretor.

“Todo o Dinheiro do Mundo” é uma história sobre ganância e valores. A trama acompanha uma mãe (Michelle Williams) que parte em busca da ajuda de seu ex-sogro magnata J. Paul Getty, uma vez que este se recusa a pagar o resgate de 17 milhões de dólares por seu inconsequente neto. O filme faz questão de ilustrar o tamanho da riqueza de Getty e sua distância de todos os outros ao seu redor. Auxiliado pela trilha sonora, o filme é composto por um ar de sofisticação que dá o tom da trama, e de seu protagonista principal: este é um mundo sobre dinheiro.

Como consequência, o design do produção do filme é chamativo, mesmo que as vezes o visual retrô se torne um tanto cansativo. O diretor aproveita suas locações para proporcionar planos amplos e imponentes, principalmente quando Getty está em cena, e orquestra o tom de boa parte do filme fazendo uso de uma paleta de cor variada.

Em sua longa duração, “Todo o Dinheiro do Mundo” sofre de um segundo ato arrastado e alguns diálogos pobres, mas seu roteiro possui viradas o suficiente para manter a trama interessante. Por “viradas”, quero dizer que quando parte da busca vai cansando o espectador, as circunstâncias mudam e desafiam novamente os protagonistas, tornando a história interessante novamente.

Falando dos protagonistas, Mark Whalberg entrega uma performance competente, sem muito brilho. Michelle Williams, por outro lado, encara um papel exigente e consegue trazer emoção até mesmo em algumas de suas falas mais questionáveis. O relacionamento dos dois personagens é uma sub-trama mediana, presente para dar os respiros da história de perseguição,  que acaba extendendo o filme um pouco além do necessário.

Kevin Spacey era o interpréte de J. Paul Getty até que denúncias de abuso sexual foram trazidas à tona.

Ridley Scott já não precisa se provar para ninguém a um bom tempo. Embora seja um diretor irregular, com uma filmografia repleta de altos e baixos, sempre foi conhecido pela versatilidade e competência com que rege seus vários projetos. Quando as denúncias surgiram, muitos filmes teriam tido seu lançamento adiado, ou até mesmo cancelado, mas Scott foi capaz de reunir o elenco e equipe de volta, e o filme chegou aos cinemas conforme o previsto, agora com Christopher Plummer no papel do magnata.

Há de se notar que as cenas envolvendo Getty são algumas das mais visualmente elaboradas do filme, devido ao seu estilo de vida. Diversas locações tiveram de ser revisitadas pela equipe, assim como vários sets repletos de coleções artísticas do personagem. Tudo teve que ser remontado, e o elenco precisou reencarnar seus personagens por uma porção considerável do filme. São pouquíssimos os profissionais em Hollywood hoje em dia que seriam capazes de cumprir um prazo original sob essas condições, mas Scott conseguiu. Spacey foi apagado do filme, sem qualquer rastro de complicação.

Conforme o filme segue,  Todo o dinheiro do Mundo vai colocando em evidência a mentalidade de J. Paul Getty, e a maneira como o milionário encara o valor da vida. De maneira fria e calculista, o personagem acaba se tornando o maior antagonista da trama, consciente de que este é um ponto aberto à interpretação.  Com um pouco mais de profundidade em suas observações, poderíamos ter tido algo bem interessante aqui.

“Todo o Dinheiro do Mundo vai agradar fãs de Ridley Scott. É um saldo positivo para a carreira do diretor e traz uma história razoavelmente engajante para quem se interessar em acompanhar os problemas de todos aqueles que estivessem em volta do homem mais rico do mundo.