Uma Dobra no Tempo | Crítica do Filme

Uma Dobra no Tempo | Crítica do Filme

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Sinopse:
Os irmãos Meg (Storm Reid) e Charles (Deric McCabe) decidem reencontrar o pai, um cientista que trabalha para o governo e está desaparecido desde que se envolveu em um misterioso projeto. Eles contarão com a ajuda do colega Calvin (Levi Miller) e de três excêntricas mulheres em uma ousada jornada por diferentes lugares do universo.Diretor: Ava Duvernay

Elenco: Storm Reid, Oprah Winfrey, Reese Whiterspoon, MIndy Kaling, Chris Pine, Zach Galifianakis, Michael Peña

Data de estreia:
29 de Março de 2018

A execução inspirada de Ava Duvernay não é o suficiente para o salvar Uma Dobra no Tempo e seu roteiro cheio de pretensões, porém pouco ambicioso. O novo live-action da Disney chega aos cinemas esta semana, e é baseado em um clássico da literatura infantil que mistura fantasia com ficção-científica.

Uma Dobra no Tempo parece ser um daqueles livros escolares que diversas crianças dos EUA precisaram ler em algum momento do ensino fundamental. Só por este fato, já seria extremamente difícil adaptar um material tão amplamente conhecido e interpretado, para as telas do cinema popular mundial. E embora muitas das críticas americanas sobre o filme cheguem a apontar esta dificuldade como grande defeito do filme, a verdade é que os maiores problemas estão na maneira como o roteiro se acomodou com as próprias escolhas, renegando-as em favor de resultados grandiosos. Uma abordagem contraditória, com certeza.

Ava Duvernay, responsável por “Selma” e “A 13ª Emenda” e a série “Queen Sugar”, assumiu a direção em seu primeiro projeto de grande oçamento com Uma Dobra no Tempo”, se aventurando também, pela primeira vez, por uma história muito mais fantasiosa do quê costuma trabalhar. Como parte de um movimento de diretores que impulsionam a inclusão e a diversidade de talentos, é evidente que a possibilidade de tornar a história um tanto mais representativa do quê originalmente é, foi parte do apelo para assumir o projeto.

E embora a direção do filme busque constantemente enaltecer os momentos de inspiração e emoção, muitos destes acabam soando vazios perante uma construção dispersa e uma narrativa frustrantemente irregular em questão de tom e ritmo.

O tom do filme parece ser um problema muito mais claro do que qualquer outro. A começar pela trilha sonora, onde algumas escolhas bem equivocadas de pós-produção optaram por preencher as cenas com músicas “pop” cantadas que não apenas destoam da cena em si, como também distraem o espectador.

Outro grave problema para qualquer história infanto-juvenil, o senso de urgência do filme é mal exposto, além de mal construido. São poucos os obstáculos vencidos com alguma sensação genuína de superação entre os personagens, e a ameaça sem nome que permeia a trama é subjetiva demais para proporcionar um clima de tensão gritantemente necessário durante o terceiro ato do filme.

Pouco pode se dizer sobre o trio de personagens infantis. Storm Reid segura bem o papel principal com a determinação de sua personagem,  e Levi MIller segue de acordo com aquilo que o roteiro lhe proporciona: ser um coadjuvante carismático. Deric McCabe rouba diversas cenas como irmão mais novo que é, na verdade, um “jovem prodígio”. Um arquétipo batido, porém funcional.

O trio de figuras fantásticas (composto pelas personagens de Oprah WInfrey, Reese Whiterspoon e Mindy Kaling) serve, na maior parte, como meios convenientes de avançar a trama e alívios cômicos pontuais. Chamativas e carismáticas, infelizmente nunca alcançam todo o seu pontecial de desulmbramento.

A grande parte dos méritos de uma Uma Dobra no Tempo” estão no trabalho visual vibrante que permeia o segundo e o terceiro ato, conforme os personagens viajam por dimensões pecualiares e pouco contextualizadas. Se algo de bom veio desta falta de contexto, foi a liberade para criar cenários excêntricos (ótimos para serem usados em trailers e materias promocionais, diga-se de passagem).

Ao fim, Uma Dobra no Tempo atinge um meio termo frustante. É imcompreensível e arrastado demais para crianças, ao mesmo tempo em que consegue ser “bobo” e superficial demais para ser aproveitado por adultos. A culpa pode ser da inexperiência de Duvernay com este tipo de história, da complexidade que o material original aparentemente apresenta, ou simplesmente de um roteiro mal balanceado. De qualquer forma, a Disney precisa começar a olhar para seus live-actions fantásticos (fora do MCU) com mais carinho e atenção antes de pensar em como vendê-los.