Universidade Monstros | Crítica do Filme

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A produção prequem de Monstros S.A. mostra o início da amizade entre os divertidos Mike Wazowski e James P. Sullivan, ainda nos tempos de faculdade. Amigos inseparáveis, os dois se detestavam quando jovens.  Mike era um sujeito estudioso e pouco assustador, enquanto Sulley era popular e arrogante. Mas eles terão que aprender a trabalhar em equipe na disputada Olimpíada de Sustos. Todas as dificuldades enfrentadas pelo time, que reuniu os seres mais bizarros da universidade, serviram para unir a dupla.

Estréia: 21 de junho de 2013

Quando em 2001 aguardávamos ansiosamente o próximo longa de animação da extremamente bem sucedida Pixar, já estávamos esperando algo inovador e original. O estúdio vinha de uma sucessão de animados criativos, no qual era uma certeza de boas horas de entretenimento na sala do cinema. Não foi por menos. Monstros S.A. trouxe para o mundo uma nova visão de como os monstros viviam, de onde eram e porque nos assustavam. Mikey (Billy Crystal) e Sulley (John Goodman), os dois protagonistas, eram amigos que dividiam apartamento e trabalhavam na Monstros S.A., a empresa que era responsável por gerar energia em Monstrópolis. Hoje, 12 anos depois muita coisa mudou. Nossa ida ao cinema para assistir um filme da Pixar continua sendo um evento bem aguardado durante o ano, principalmente pela tradição e legado do estúdio, mas a certeza de que passaremos por horas agradáveis já não é a mesma. Infelizmente nos dois últimos anos tivemos lançamentos medianos provenientes do estúdio: Carros 2, que foi um filme apenas para vender brinquedos, e Valente, que tinha de tudo para ser o renascimento da originalidade,  mas infelizmente nos trouxe uma história padrão de princesa que se aceita numa sociedade em que lhe é imposta. Universidade Monstros embarca na onda de prequels (história que acontece antes da história já conhecida) que o cinema passa. Primeiro prequel dos estúdios, por sinal. Creio que para todos os fãs, assim como eu, a vontade era sair da sala e dizer: “a Pixar voltou a fazer filmes originais e emocionantes. É gratificante dizer que hoje sai da sala do cinema e pude dizer isso, porém não foi um grito para que o mundo ouvisse, mas sim um leve e tímido comentário entre colegas de trabalho.

 

Para quem assistiu Monstros S.A. sabe bem que Mike e Sulley é uma dupla de amigos e colegas de trabalho que lideram o ranking de sustos da empresa que da nome ao filme, entretanto, Mike, o baixinho verde de um só olho, sempre foi um pouco apagado por se tratar de um monstro que não mete tanto medo. No final do filme, o papel dos dois se invertem e Mike descobre que a risada das crianças são 100 vezes mais poderosas que o grito, e assim geram muito mais energia para a empresa, enquanto o foco da trama de Sulley dentro do filme, fica por conta do relacionamento paternal que ele tem com a garotinha Boo. O grande questionamento levantado nesse prequel é como os dois se conheceram e se tornaram amigos, e como foi a vida universitária de Mike, já que, ele não é um monstro assustador e sim um simpático e atrapalhado ajudante.

 

Enquanto todos os refletores estava em Sulley no primeiro filme, nesse, se torna o filme de Mikey, contendo cenas do personagem na infância tomando a resolução de se tornar um assustador da empresa produtora de energia da cidade. Entretanto, desde pequeno suas dificuldades são postas e a motivação de superar-las o colocam dentro do centro universitário. A trama já é previsível através dos trailers. Mikey conhece Sulley, porém logo de cara os dois se tornam concorrentes. Sulley, conhecido por ter em sua família um assustador famoso, é um jovem delinquente que não dá tanta atenção aos estudos. É considerado o “cara legal” dentro da faculdade. Por outro lado Mikey é um nerd, que devido suas dificuldades acaba ganhando destaque por sua esperteza e força de vontade. Devido a um acidente os dois se vêem correndo o risco de perder a vaga dentro da faculdade, e para provar que são capazes de se manterem são obrigados a participar dos jogos universitários e serem campeões de susto.

 

O filme é bem fluido. Não tem nenhum momento durante a projeção que você o considere empurrado, muito pelo contrário, cenas colocadas ali no meio da trama, como a da biblioteca, servem como um gás a mais para a história seguir seu rumo de forma divertida. Talvez algumas piadas não sejam tão bem sucedidas para o público brasileiro, mas isso não prejudica em nada o andamento do longa.

 

A fluidez de movimentos nos personagens é incrível. Sulley principalmente tem uma movimentação que se mostra bem mais jovem que o Sulley que já conhecíamos no primeiro filme. Tal fluidez pode ser admirada nos personagens novos da trama, com um destaque para Art (Charlie Day) que é um bicho roxo com formato em “U” que ao decorrer do filme explora muito bem a liberdade que o formato do personagem propõe.

 

A história, apesar de óbvia, ela arremata perfeitamente o público alvo, que em 2001 eram crianças e hoje  provavelmente passam pelo desafio de entrar numa faculdade e escolher uma carreira. Tenta fazer o que Toy Story 3 fez, porém a carga emotiva que transmite é bem inferior que a do longa dos brinquedos. A conclusão que inverter a história,  acaba sendo apenas interessante, fazendo diversas homenagens ao primeiro longa e unindo de forma coesa ao ponto que conhecemos os personagens no primeiro filme.

 

Infelizmente a Pixar ainda não acertou a mão no 3D (com exceção de Valente). Os recursos usados no longa são fraquíssimos, deixando-o completamente desnecessário para o aproveitamento e imersão no filme. Na minha opinião, é até melhor assim, pois não tira o foco da história com elementos sendo jogados na sua cara insistentemente.

 

A trilha sonora de Randy Newman, apesar de extremamente repetitiva em quase todos os filmes da Pixar, continua prazerosa e única, dando uma identidade sonora sem igual aos filmes da Pixar. Seus acordes remeteram-me muito à trilha de Vida de Inseto, com algumas mesclas da própria trilha de Monstros  S.A., que é mais puxada para um Blues.

 

A Pixar é um excelente estúdio de animação. Suas artes em formato de filmes são verdadeiros presentes para os apreciadores, entretanto sofre de uma crise criativa, deixando o produto muito mais próximo de cinema genérico de animação com filmes facilmente esquecíveis (confesso que às vezes tenho dificuldades de lembrar da história de Carros 2, pra mim é como se nunca tivesse existido). Porém, como já disse, em apenas 18 anos no ramo dos longas metragens animados, é uma empresa que se destaca pelo legado que já nos deixou nesse período de tempo. A prova de que a capacidade criativa lá dentro continua viva é muito bem refletida no curta de animação O Guarda-Chuva Azul, exibido antes do longa principal. Com traços realistas o filme consegue numa simplicidade nos contar uma história de amor com dois objetos inanimados, que ganham vida através de elementos naturais como vento, chuva, neblina…  O desejo ao terminar a última cena (incluindo a pós créditos) é de que grandes longas venham logo em seguida, e que Universidade Monstros seja mesmo o sinal de que a empresa ainda nos trará muita alegria.



 

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Rodrigo Santuci

Publicitário por profissão e cinéfilo por paixão. É o fundador do site Plugou. Apaixonado por cinema desde pequeno, nunca se incomodou em passar horas sozinho tentando entender como os filmes funcionam. Apaixonado por quadrinhos e games apesar de ter abandonado os dois com os passar dos anos. Tem dificuldade para jogar qualquer coisa mais complexa que Alex Kidd in Miracle World. Trabalha com Internet desde 1999 e já foi diretor de arte nas maiores agências de publicidade da Brasil. Em 2000 abriu junto com o jornalista Matheus Mocelin Carvalho e o ilustrador Fernando Ventura o Disney News e o AnimationS fórum (um dos principais canais de comunicação entre admiradores de cinema de animação). Em abril de 2012 começou o projeto Plugou e se dedica diariamente encontrar novos diferenciais para o portal.