Valente | Crítica do filme

Valente | Crítica do filme

nota2.5valenteDesenho animado deixou de ser “coisa de criança” há muito tempo. Cenas como a que vimos no belíssimo Up- Altas Aventuras e todo o conceito envolvido por trás de Toy Story 3 não deixa mais dúvidas que principalmente a Pixar adiciona elementos no seu roteiro que não são voltados para o público infantil. Não é diferente o que acontece com o novo desenho da Pixar, Valente (Brave). Uma temática forte envolve sua personagem principal Merida, a jovem princesa que é obrigada a aceitar seu destino como rainha e concordar com a disputa de jovens principes à sua mão, vivendo uma vida cheia de responsabilidades e obrigações. Além de tudo, aceitar o fato de ter que manter a pose e se comportar como tal figura da realeza. Como era de se esperar, como qualquer adolescente rebelde, Merida não aceita seu destino pré-determinado, e isso a coloca de frente com a rainha, sua mãe, que a molda desde pequena para ser a esposa perfeita e dona de um lar ideal. Tudo isso o trailer do filme já nos mostra com sua perfeita animação e toda emoção que apenas um filme da Pixar consegue fazer… Contudo, meu amigo, aí que você se engana ao achar que Valente é um filme para se colocar na prateleira ao lado da trilogia Toy Story, ou Procurando Nemo ou então o já citado Up – Altas Aventuras. Valente vai ficar muito melhor ao lado dos fraquíssimos Carros e Carros 2.

Bom, vou voltar um pouco e falar de algo imprescindível quando se fala de Pixar. Não se assiste a um filme sem ter um ótimo curta abrindo caminho para a atração principal. A bola da vez é o incível La Luna. Sua história nos mostra três gerações de uma tradicional família italiana. Os modos de vestir e diferenças de posturas já é o suficiente para entendermos que ali temos um avô, um pai e um neto. É noite, e a lua está prestes a aparecer, quando surge essa família em alto mar em um pequeno barco. Com o desenvolver da história descobrimos a função que a vida lhes coube. Enfim, não quero dar muitos detalhes para não estragar esse curta que vale o ingresso gasto. Cinco minutos de exibição já foram o suficientes para ouvir os tradicionais choros que a Pixar costuma tirar de seu público. Contudo não foi o que aconteceu com Valente

A partir de agora vou jogar spoiler no ventilador. Se não quiser saber de detalhes de Valente não continue lendo. Como disse, o primeiro ato de Valente é tudo o que o trailer nos vende. Um épico, um clássico, um filme que fará você sair do cinema emocionado com a coragem e valentia de nossa heroína. Estava aguardando um novo Mulan, mas na verdade o que encontrei foi um Irmão Urso… mas não digo que encontrei algo parecido com o clássico Disney de 2003, encontrei uma cópia, uma estrutura exatamente igual.

Irmão Urso é um ótimo filme. Um dos meu favoritos por sinal. Nele temos a história de três irmãos. O primeiro irmão é morto por um urso, o segundo irmão buscando vingança é transformado pelas forças da natureza em um urso e o terceiro irmão, não sabendo que seu irmão virou urso, sai atrás do próprio caçando-o. Em Valente temos uma família, pai, mãe e filha. O pai sofre um acidente e tem uma das pernas arrancada por um urso e é faminto por vingança contra a espécie, a filha busca mudar seu destino, e sai em busca de respostas quando acaba encontrando no meio da floresta uma feiticeira que transforma a mãe da família em um urso. O pai não sabendo que a esposa virou urso tenta caça-la.

Bom, você está nesse momento pensando: “mas o filme não é só isso”. Concordo! O filme tem elementos a mais que o diferenciam, afinal não tem como ser feito um plagio completo, entretanto o que eu reclamo não é o fato de uma das personagens se transformar em urso, e sim pelo fato de uma das personagens se transformar em um animal. Essa fórmula de transformação de humanos em bichos já está gasta demais para ser usada novamente. O que me surpreende é o fato de ser um estúdio responsável por filmes incríveis ter aprovado essa estrutura de roteiro logo após de lançar o pior filme de toda a históra da empresa, Carros 2.

Entretando estou em um dilema, pois Valente, não é um filme ruim. Tem uma animação incrível, personagens memoráveis, ótimas piadas, diálogos interessantes, mas a partir do momento que eu vi que a mãe se transformaria em um urso minha reação foi colocar as mãos sobre a cabela e balançar com negação total à escolha do destino dado ao filme. O primeiro ato é incrível, tudo tendia a crer que o desenvolver da história seria muito mais que a brincadeira de Tom e Jerry de Merida e sua mãe contra o pai e seus amigos. Como já não bastasse a semelhança que tem na transformação em animal, há ainda uma história paralela de um reino onde um dos 4 irmãos se rebela e acaba se transformando em um urso. Esse urso no decorrer da história aparece e é “libertado” pela heroina principal. A cena de seu espírito grato é de uma semelhança absurda com o final do filme Irmão Urso.

O que salva o filme, além de seu primeiro ato, é a feiticeira maluca que vende artefatos de madeira no meio da floresta. A mensagem que ela deixa em seu “caldeirão caixa postal” é hilariante. Os irmãozinhos de Merida que estão ali para ser um alivio comico, junto com a empregada do castelo, acabam passando depercebido, deixando a gente apenas com um leve sorriso no rosto. Um outro destaque no filme, é a homenagem que a Pixar faz a Steve Jobs em nos créditos finais. O fundador da Apple foi um dos cofundadores da Pixar, e sem ele o estúdio não estaria no auge que encontra-se atualmente. Foi uma lembrança bem bacana.

Fico chateado em ter que escrever uma crítica negativa de um produto derivado de uma empresa no qual tenho tanto carinho, mas infelizmente não aceito que a Pixar tenha errado em um filme que prometia quebrar barreiras. Espero que ano que vem eu possa escrever sobre “Universidade Monstros” e ter a mesma sensação que tive quando sai da sala ao término de “Toy Story 3”: sensação de ter visto uma obra prima original, sem esriótipos ou fórmulas de desenho “para criança”.