Vida | Crítica do Filme

Vida | Crítica do Filme

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Sinopse:

Vida é um thriller aterrorizante sobre um time de cientistas a bordo da Estação Espacial Internacional cuja missão de descoberta se transforma em medo puro quando eles encontram uma forma de vida em desenvolvimento que causou a extinção da vida em Marte e agora ameaça a tripulação e a vida na Terra.

Diretor:

Daniel Espinosa

Elenco: 

Hiroyuki Sanada, Ryan Reynolds, Rebecca Ferguson, Jake Gyllenhaal, Olga Dihovichnaya, Ariyon Bakare.

Estréia: 

20  de abril de 2017

 

 

Nós que escrevemos sobre cinema temos um certo privilégio em relação aos lançamentos. Para que nosso texto saia a tempo da estréia do filme, as distribuidoras exibem com antecedência nas chamadas “cabines de imprensa”. Sempre saio da projeção com uma opinião formada e raramente as conversas entre membros da imprensa, após a sessão, mudam o meu olhar sobre o filme. No entanto, com Vida, lançamento da Sony Pictures que chega aos cinemas nessa quinta-feira (20/04/2017) eu ainda estou para concluir se gostei ou não do que vi, mesmo já tendo passado uma semana da projeção e ouvido diversos comentários que variam entre o muito bom e muito ruim.

Sci-Fi é um dos gêneros que mais gosto e que o cinema não cansa de explorar. Temos diversos exemplos de filmes memoráveis que fazem parte da vida das pessoas e que são eternizados na memória. A meu ver a experiência que tive ao assistir outros filmes do gênero atrapalhou minha experiência com Vida, pois o julgo como uma tentativa de fazer um novo Alien: O Oitavo Passageiro. O uso da palavra “tentativa” não pode ser encarado negativamente, pois o longa tem seus méritos, mas não consegue criar o mesmo clímax deixado por Alien.

Vale lembrar que Alien, apesar de ser um Sci-Fi pode ser muito bem enquadrado como um suspense ou terror devido à forma genial que Ridley Scott nos conta a trama. Em Vida, filme do diretor Daniel Espinosa, temos a presença desse suspense/terror, temos a presença do Alien, mas contraditoriamente ele funciona de forma inversa: você torce mais pelo antagonista do que para os “heróis” da história.

 

 

Com uma tonalidade mais “realista” o filme nos apresenta uma equipe em uma base espacial próxima à Terra esperando o recebimento de uma sonda que fez recolhimento de material do solo de Marte. Com algumas alterações na atmosfera, a equipe observa uma célula viva que veio junto ao material, sendo assim a primeira prova de vida fora da Terra. Todo encanto com a descoberta vai aos poucos se transformando em indecisão quanto a forma de vida, que a cada dia se torna maior e desconhecida, superando as medidas de segurança projetada pelos humanos.

Com uma apresentação um pouco entediante, o filme reproduz com uma riqueza de detalhes muito grande o que seria uma real estação especial. Ficamos um pouco perdidos nas primeiras cenas, dando uma sensação quase documental para a projeção. No entanto o plano sequência nos faz  emergir para o universo com gravidade zero e logo nos familiarizamos com o rosto dos personagens que incluem Ryan Reynolds, que estamos habituados a vê-lo em comédias e aqui se sai muito bem com um novo gênero, Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Olga Dihovichnaya e Hiroyuki Sanada.

Visualmente impecável e com uma trilha sonora que contribui com 80% da experiência do filme – muito impactante e certeira para os momentos de tensão – o diretor é feliz em apresentar as cenas com o “monstro” atacando irracionalmente, mas por mais que ele tente nos deixar próximos aos personagens, ainda temos mais simpatia pelo organismo desconhecido. Ficamos na torcida que dê errado para os humanos e que a criatura chegue na Terra.

 

 

Durante a produção muitos boatos especularam que o longa poderia ser um filme de origem do personagem Venom, vilão simbionte alienígena do Homem-Aranha. Faltou alguém de visão para dar essa ideia ao estúdio e levar para os cinemas uma multidão de fãs da Marvel. Funcionaria muito bem como um filme de origem do personagem – que por sinal está previsto para sair do papel e não me surpreenderá se seguir os mesmos caminhos de Vida.

Ao final desse texto posso concluir que gostei de Vida. É um filme bem produzido e dirigido, tem uma riqueza na sua cinematografia. Por outro lado, seus personagens humanos são fraquíssimos e não conseguimos torcer para que eles saiam bem dessa história, afinal o que mantém o filme vivo (e você acordado) é mesmo o alienígena. Se não fosse pela mesma estrutura de Alien: O Oitavo Passageiro, que já foi repetida tantas vezes chegando à exaustão, o longa teria ganharia um destaque maior entre o público.