A Grande Jogada | Crítica do Filme

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Sinopse:
Após perder a chance de participar dos Jogos Olímpicos devido a uma fatalidade que resultou em um grave acidente, a esquiadora Molly Bloom (Jessica Chastain) decide tirar um ano de folga dos estudos e ir trabalhar como garçonete em Los Angeles. Lá conhece Dean Keith (Jeremy Strong), um produtor de cinema que decide contratá-la como assistente. Logo Molly passa a coordenar jogos de cartas clandestinos, organizados por Dean, que conta com clientes muito ricos e famosos. Fascinada com o ambiente e a possibilidade de enriquecer facilmente, Molly começa a prestar atenção a todos os detalhes para que ela própria possa organizar jogos do tipo.Diretor:
Aaron Sorkin

Eenco:
 JEssica Chastain, Idris Elba, Michael Cera, Kevin Costner, Jeremy Strong, Chris O´Dowd

Data de estreia:
22 de Fevereiro de 2018

Quando o assunto é roteiro em Hollywood, um dos nomes mais proeminentes das últimas décadas é Aaron Sorkin, responsável pelos textos de filmes como “Moneyball”, “A Rede Social” e “Steve Jobs“. Todos estes, embora trouxessem diretores aclamados, são filmes que impactaram o público e a crítica pela qualidade de seus roteiros. Pois nesta mais nova empreitada, Sorkin não apenas escreveu “A Grande Jogada”, como também assumiu a cadeira de direção.

O resultado? Diálogos, narração e mais diálogos…

Assistir a uma interação escrita por Sorkin é sempre cativante. Os personagens sempre acabam sendo retratados de maneira extremamente eloquente, as vezes até demais para o contexto da história em questão (não é o caso por aqui). Coadjuvantes e protagonistas, todos demonstram inteligência e se expressam de maneira mesmerizante.

Alie estas característas do roteirista à um casal de atores extremamente carismáticos e magnéticos como Jessica Chastain e Idris Elba, e o trabalho de um diretor se torna incrivelmente mais fácil do que poderia ser, mas não está livre de alguns perigos. Não é como se a inexperiência de Sorkin na cadeira de direção ficasse explícita no filme, mas percebe-se uma falta de autoria na hora de construir cenas mais impactantes, ou mesmo na edição e montagem do filme que varia de momento à momento.

Sendo assim, o roteiro acaba ganhando ainda mais espaço para brilhar. Dizem que cada página de um roteiro equivale a (mais ou menos) um minuto de filme. “A Grande Jogada” é um filme de duas horas e vinte minutos, mais seu roteiro deve ter, facilmente, umas duzentas páginas de diálogos extensos e monólogos narrativos que emulam a sensação de ler o livro auto-biográfico escrito pela protagonista.

Há algumas escolhas visuais interessantes, mesmo que suas execuções não tenham sido tão bem exploradas quanto deveriam. Ao alternar entre passado e presente, o filme muda sua paleta de cores, bem como seu padrão de movimentação de câmera: Enquanto Molly conversa com seu advogado, a câmera é estática e o clima é mais depressivo. Já nas cenas com os jogos de Poker, a câmera percorre os personagens à todo tempo e a iluminação se torna muito mais vibrante.

Parte da crítica deve estranhar a maneira como o filme é estruturado. A maneira como o roteirista decidiu deixar a história se desenrolar não traz tanta naturalidade e nem sempre entaltece pontos de virada necessários para um melhor acompanhamento. Novamente, a atenção do espectador se mantém graças aos rápidos diálogos e a “presença” de Jessica Chastain em sua interpretação. Não diferente do público, Sorkin é fascinado por protagonistas incrivelmente fortes. Pessoas capazes de grandes feitos, cujas ações nem sempre são facilmente compreendidas por outros ao seu redor. Molly Bloom pode não ter inventado o Facebook ou a Apple, mas seu ímpeto e espírito empreendedor é tão facilmente relacionável quanto em seus antecessores.

ameEm suma, caso o espectador se interesse por discussões cativantes, “A Grande Jogada” merece sua atenção, sem sombra de dúvidas. É mais uma bela adição ao corpo de trabalho de Aaron Sorkin como roteirsta. Aos demais que iriam preferir cenas mais empolgantes, infelizmente não será por aqui que irão encontrar.

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