Bob Esponja: Um Herói Fora D’água | Crítica do Filme

Para muitos, quando um filme é animado, automaticamente se atribui a ele o rótulo de “filme para crianças”. Entretanto, por trás de toda animação existe todos os elementos que compõe a produção de um longa: diretor, roteiro, trama e também elenco. Contudo, em uma animação que se propõe mesclar o desenho animado com o live action, ou seja, os desenhos com atores contracenando ao mesmo tempo, corre-se o risco de inverter o protagonista, e o ator acaba roubando o foco para si. Em Bob Esponja: Um Herói Fora D’água, mesmo com o protagonista permanecendo em tela 90% do filme, o diretor Paul Tibbitt entrega grande parte da graça para o vilão interpretado por Antonio Banderas.

Quando o assunto é animação, eu gosto muito de observar como o estilo mudou muito nos últimos anos. Em 1995, há exatos 20 anos, quando a Pixar lançou Toy Story, o primeiro longa feito inteiramente em CGI, ninguém imaginaria que uma animação tradicional, aquela feita com lápis, papel e 24 desenhos por segundo, seria uma raridade nos dias de hoje. Muitos falam que aceitar o CGI dominando os filmes do gênero, é aceitar que a animação evoluiu, assim como o cinema passou do mudo para o falado. Eu não concordo.

As produtoras tem receio de que filmes em animação 2D, não tenham público, pois considera-se um estilo datado para as crianças de hoje. Visto isso, observamos que a Universal tenha errado, e feio, na divulgação de  Bob Esponja: Um Herói Fora D’água. O filme  é quase inteiro em 2D, mas seus trailers e cartazes vende apenas o momento que começa o terceiro ato onde os personagens saem do mar e vão encarar suas aventuras na superfície. Bob Esponja em 2D é ótimo, funciona e todos gostam. É incrível ter animação 2D nas telas novamente.

A mescla de 3D com o desenho tradicional, ganha uma vida diferente, que não tivemos muitos exemplos no cinema até agora. O protagonista Bob, ganha volume com o efeito, e dá um passo a mais para os filmes inspirados em cartoons.

A trama é bem infantil, porém diverte ambas as idades, pois o nonsense usado na história consegue agradar a todos.  Tudo é muito colorido e agitado dentro do universo desses personagens e no formato de longa, as 1h30 proporcionam uma nostalgia ainda recente da animação.

Espertamente o terceiro ato, que remete aos recentes sucessos de filmes de heróis, principalmente Os Vingadores, o longa deixa de ter o ar nostálgico do cartoon da TV e entrega um novo Bob Esponja para uma nova geração, assim como podemos acompanhar no trailer do filme. Para aqueles que aguardavam um filme inteiro nesse formato, pode se decepcionar bastante, já que toda a ação em CGI é resumida nos trailers.

É de se aplaudir hoje uma distribuidora colocar no mercado uma animação 2D, mesmo sendo uma adaptação episódica de uma série para TV. Sou totalmente a favor do retorno desse estilo, pois nele existe mais alma do artista em seus personagens, e não um único boneco CGI que transformam as animações de hoje em uma sequência exaustiva e repetitiva de filmes padronizados.

nota 2,5

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *