Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível | Crítica do Filme

 

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Sinopse:
Christopher Robin (Ewan McGregor) já não é mais aquele jovem garoto que adorava embarcar em aventuras ao lado de Ursinho Pooh e outros adoráveis animais no Bosque dos 100 Acres. Agora um homem de negócios, ele cresceu e perdeu o rumo de sua vida, mas seus amigos de infância decidem embarcar no mundo real para ajudá-lo a se lembrar que aquele amável e divertido menino ainda existe em algum lugar.Diretor
Marc Foster

Elenco:
Ewan McGregor, Hayley Atwell, Mark Gatiss, Jim Cummings, Toby Jones, Peter Capaldi, Brad Garrett, Sophie Okonedo, Nick Mohammed

Data de estreia:
16 de agosto de 2018

A Disney vem se aproveitando (com muita eficiência) de um espaço do mercado que está sempre em constante mudança: a nostalgia. Com diversas produções sendo aprovadas graças apelo que elas possuem para audiencias já familiarizadas com seus conteúdos, a Disney percebeu alguns anos atrás que ela mesma poderia tirar um grande proveito de suas próprias marcas, uma vez que boa parte delas faz parte da infância do grande público. Sendo assim, vieram os live-actions de grandes clássicos da Disney (Cinderela, A Bela e a Fera…). E quando adaptações diretas não são tão interessantes, o jeito é expandir o universo com derivados como Malévola, e agora Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível.

O novo filme traz de volta a clássica turma do famoso Ursinho Pooh, em uma história sobre o clássico dilema de “não deixar de ser criança” quando nos tornamos adultos. Christopher Robin (Ewan McGregor) já deixou o “Bosque dos Cem Acres” há anos, e agora trabalha dedicadamente para sustentar sua família. Neste tempo, o personagem passou pela primeira guerra mundial, teve uma filha, e agora é gerente de eficiência em uma fábrica de malas (um típico emprego chato). Sua mentalidade atual é de que proatividade e rigidez são essenciais para a vida adulta, e tenta passar estes valores para sua filha (que agora tem a mesma idade que ele tinha nas histórias clássicas). O filme se esforça, com razão e competência, para justificar este estado do protagonista e suas reações à trama.

Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível aposta em um público adulto, familiarizado com o Ursinho Pooh, que possivelmente se encontra na mesma situação do protagonista. A mensagem do filme é clara, trazendo a turma de bichos de volta à vida do personagem para lembrá-lo de que a descontração e o discernimento de suas prioridades são talvez ainda mais essenciais para uma vida feliz do quê qualquer produtividade. O filme não adentra este debate com muito afinco, e prefere deixar a história se desenrolar de maneira tradicional e conveniente para ilustrar este pensamento.

A falta de aprofundamento do filme se deve, muito provavelmente, ao seu objetivo de ser adequado, também, ao público infantil. Se por um lado, Christopher Robin está passando por uma crise existencial, por outro, Pooh e sua turma estão fazendo a mesma bagunça de sempre e trazendo diversos momentos de alívio cômico que agradam à familia toda durante a sessão. O equilíbrio destas duas abordagens no entanto, acaba deixando a desejar. O diretor Marc Foster parece ter em suas mãos, um díficil trabalho de conciliação. Em alguns momentos, Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível se assemelha à outro trabalho de Foster: “Em Busca da Terra do Nunca” (com Johnny Depp). A história traz uma intenção parecida, tentando enxergar os valores e temas presentes nas clássicas histórias com um olhar referencial e mais maduro.

Mas para um público mais jovem, o filme adota um tom sério demais para capturar o engajamento do espectador que se vê muito mais confortável em meio às simpáticas criaturas. Pooh é o primeiro a retornar em busca de Christopher Robin, mas durante boa parte de suas interações, por mais fofas e engraçadas que possam ser, o filme ainda se mantém relativamente frio, e mantém o foco na evolução de protagonista amargurado perante esta nostalgia. Na segunda metade do filme, no entanto, é tudo muito mais condizente com os tipicos fimes infantis que a própria DIsney produz, graças a um maior destaque da personagem indentificável com o público infantil: A filha.

Esta inconsistência tonal acaba prejudicando o andamento da história e a obra como um todo, mas não tira os méritos técnicos que estão presentes em Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível”. A fotografia, por exemplo, se destaca com a atenção empregada tanto para as cenas de humanos (típicamente escuras e pouco vibrantes), quanto para alguns dos momentos em que as criaturas entram em cena, com contrastes mais claros e uma paleta de cores muito mais expressiva.

O texto em si, também, não resulta em dispersão apesar das abordagens divergentes. O arco narrativo é bem definido, ainda que caia na conveniência em seus momentos finais sem muita recompensa dramática. A narrativa em si não é arrastada, contendo poucos momentos de estufamento ou inércia. Já a caracterização e os diálogos da turma de Pooh estão impecáveis, e tornam-se claramente o ponto alto do filme, ainda que não sejam tão presentes quanto poderíamos esperar em outras produções da Disney. 

Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível é um filme bem feito, que não parece se decidir entre ser um drama relevante ou uma aventura descompromissada. Tentando se manter em cima da cerca, acaba cumprindo as duas funções, mas sem muita exaltação em nenhum dos lados, com sua modéstia e charme indo de encontro com seu tom melancólico. Crianças devem achar o filme chato demais para acompanhar. Já os adultos que se dispuserem, devem considerá-lo “um filme muito fofinho”.

 

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