Covil de Ladrões | Crítica do FIlme

_Estrela_Estrela
Sinopse:
Em Los Angeles, uma saga de crimes coloca em interseção a vida de dois grupos: a unidade de elite do departamento de polícia local e a equipe de assaltantes de banco mais bem-sucedida do estado. Os criminosos planejam um roubo que aparentemente é impossível, num banco localizado no centro da cidade.

Diretor: Christian Gudegast

Elenco: Gerard Butler, Pablo Schreiber, Curtis 50 Cent Jackson, O´Shea Jackson Jr, Brian Van Holt, Evan Jones, Maurice Compte

Data de estreia:
5 de Abril de 2018

Antes uma potencial estrela do cinema, Gerard Butler tem sido mais lembrado pelo público atual por filmes de ação superficiais como “Invasão à Casa Branca” e sua sequência, “Invasão à Londres”. O ator retorna à esta zona de conforto, desta vez com “Covil de Ladrões”, o primeiro filme dirigido por Christian Gudegast, o roteirista de “Invasão à Londres”.

Um diretor de primeira viagem, Gudegast demonstra ambição e ânimo para desenvolver uma história de grande escala, além do claro interesse em aprofundar os personagens principais, mas não possui o foco ou a experiência necessária para tornar a experiência de assistir “Covil de Ladrões”, algo memorável.

Ressalto a falta de foco, pois há o potencial de se contar uma história muito mais cativante dentro desta. Embora o roteiro foque no personagem de Gerard Butler, e na sua mal construída rivalidade com o personagem de Pablo Schreiber, o real interesse está no personagem de O´Shea Jackson Jr, que se pega dividido entre ambas as “gangues”. Embora o personagem de Butler seja um policial, diversos diálogos são posicionados (muitas vezes, de maneira gratuita) para deixar clara a sua ambiguidade moral, além de preencher o típico arquétipo do “policial durão”, auto-destrutivo, que não liga para as regras.

Condizentemente, mesmo que de maneira superficial, o personagem de Schreiber também possui algumas cenas que ressaltam esta mesma ambiguidade. A história vai escalando, colocando ambos os personagens em posições de conflito, mas dificilmente atinge a tensão necessária para que o espectador possa se identificar ou empatizar com qualquer um dos lados. A empatia, mais uma vez, fica por conta do personagem de Jackson Jr.

E embora o filme se mostre ciente dos interesses gerados no público, a história, ainda assim, prefere apostar na construção desta dualidade banal entre as duas “gangues”, se valendo de clichês e momentos de humanização pouco inspirados, apenas para revelar o seu verdadeiro intuíto nos minutos finais do filme, buscando trazer um sentimento de revelação aos moldes de filmes de golpe como “Onze Homens e um Segredo”.

Um “plot twist”, como é chamado este artifício de roteiro, funciona de maneira semelhante à um truque de mágica (“O Grande Truque”, de Christopher Nolan, elabora esta semelhança). A mágica precisa acontecer em frente ao espectador, sem que este perceba o real objetivo do truque. O efeito nunca será mesmo se o truque for feito às escuras, sem que o espectador possa se sentir incluído no mistério. “Covil de Ladrões” espera que o público se impressiona com uma reviravolta mal orquestrada, sem se preocupar com o tom ou a finalidade da história que vinha sendo contada até então.

Em suma, caso o filme tivesse prestado mais atenção à suas elaborações e construções de personagem, poderíamos ter aqui uma história muito mais relevante dentro de um gênero que já foi explorado pelo cinema à exaustão. A tensão e o envolvimento do público com os personagens acabam soando demasiadamente artificiais, e o próposito do filme, disperso.

“Covil de Ladrões” procura ser um filme de ação com mais substância do quê o gênero costuma gerar, mas falha ao tentar entregar elementos realmente substanciais em suas mais de duas horas de duração. A tentativa ficou clara, mas a execução carece de concisão.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *