Divertida Mente | Crítica do filme

Demorou para a Pixar encontrar novamente um trilho criativo e continuar seu legado que vem desde 1995 com Toy Story. O estúdio que vem sofrendo desde sua venda completa para a Disney, passou por tristes realidades com longas que contam com sequências de sucessos do passado a temas que deveriam ser originais mas no final foram mais do mesmo. Contudo, Divertida Mente chega para colocar novamente o estúdio entre os mais criativos, e nos apresenta uma película obrigatória de ser vista por todos.

Leve, sutil, delicado, e ao mesmo tempo, adulto e complexo, o filme tem a difícil tarefa de nos contar como as emoções humanas funcionam. Alegria, Tristeza, Medo, Nojinho e Raiva não são apenas sentimentos, mas sim personagens que comandam a mente da garotinha Riley que enfrenta uma mudança radical em sua vida. Tais como Power Rangers comandando o Megazord, os cinco protagonistas de sua mente tem funções definidas, como a Alegria que mantém Riley positiva, o Medo que a mantém em segurança, a Nojinho que a mantém seletiva e assim por diante. Contudo o conflito entre Alegria e Tristeza se torna inevitável.

É interessante observar que a mente mantém um líder. No caso da protagonista a Alegria é a que comanda o grupo, mas em determinados momentos temos acesso à mente dos pais de Ripley, e percebemos que a liderança em suas cabeças são de outros sentimentos, a da mãe é a Tristeza e a do pai a Raiva.

Trabalhando basicamente com três núcleos de personagens, o longa é alternado entre regiões da mente e a vida da garota. O que acontece na cabeça altera o comportamento social que ela apresenta. Há muitos momentos interessantes, principalmente quando o filme mostra a construção das ilhas de personalidades, e como elas são afetadas com o decorrer da história. O filme é tão eficaz ao construir esse universo que facilmente conseguimos entender como aquela realidade se aplicaria para diferentes tipos de pessoas e seus comportamentos.

Apesar de original e emocionante, infelizmente Divertida Mente caiu no maior problema que os filmes da atualidade enfrentam: o marketing. São tantos trailers e tantas cenas divulgadas, que os elementos surpresa não possuem o mesmo impacto durante a projeção. Ao assistir pela primeira vez, eu tive a sensação de estar vendo um filme repetido, de tanto que fui bombardeado com spots na internet.

Porém, ignorando essa estratégia de marketing extremamente errônea, o filme por si só é um clássico por natureza. Divertida Mente tem um grande potencial para ser lembrado durante gerações, assim como Toy Story. Sem contar que o universo criado pela Pixar contém grandes possibilidades para novas linhas de histórias. Os plots que ocorrem durante o filme provam que a Pixar tem muita lenha para queimar.

Divertida Mente nos trás novamente núcleos femininos fortes, algo que a Pixar tentou fazer com Valente. Tanto a liderança da Alegria quanto o posicionamento da menina, mostram que o estúdio busca fugir do esteriótipo dama delicada. O núcleo masculino do filme é retratado de uma forma curiosa. O pai é um cara desligado, inerte até determinado ponto da história, a Raiva é um personagem errôneo, que toma atitudes precipitadas e o Medo um ser frágil que busca se defender dos estímulos externos a todo custo.

Divertida Mente é finalmente um filme Pixar. Nada de Carros 2, Valente, Universidade Monstros, que apesar de filmes razoáveis, foram longas pouco explorados, que qualquer estúdio poderia ter feito. O padrão de qualidade a empresa que deu vida à Wall-E, Up – Altas Aventuras, Toy Story, Procurando Nemo, Os Incríveis, exigia um longa tão rico visualmente e imaginativo quanto a esse novo lançamento. Você sairá do longa com a sensação de satisfação e euforia, com aqueles sentimentos que só um filme Pixar consegue conceder.

nota 5

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *