Homens de Preto 3 | Crítica do filme

O  ano era 1997, na época eu tinha 14 anos e minha nova paixão se tornara Star Wars, devido às notícias de que George Lucas estaria trabalhando em um novo filme que estrearia 16 anos depois do último capítulo da série. Lembro que achava 16 anos um tempo absurdo para ser feita uma continuação de um filme, era literamente minha idade, já que “O Retorno de Jedi” é do ano que nasci. Lá em 97, fui atrás de filmes que buscavam como premissa o espaço, alienígenas, mundos onde apenas o cinema poderia nos mostrar. Foi aí que cheguei em um filme que inicialmente não estava me chamando atenção, pois era estrelado por um ator de “Um Maluco no Pedaço”, comédia que assistia antes de partir para a escola.

O filme era Homens de Preto. Deixei passar e pretendia assistir apenas quando chegasse em VHS nas locadoras, no fim, acabei assistindo uma cópia sem legenda dentro do cursinho de inglês de um amigo… lembro que naquela sala, o único alienígena era eu, pois todos riam e eu apenas olhava atentamente as imagens já que não falava inglês. Lembro que me diverti, mesmo entendendo nem 20% do filme. Cinco anos depois, chegava aos cinemas Homens de Preto 2, e juro, estava curioso para assistir, mas… deixei passar. Acabei assistindo em uma viagem de ônibus voltando de Limeira, interior de São Paulo.

Entretanto, não conseguia ler a legenda naquela TV de 15”, e o audio estava bem mais baixo que os roncos do motor do velho ônibus… mais uma vez assiti Homens de Preto sendo o ET. Hoje, 15 anos depois do primeiro filme, com um inglês bem melhor que 97, e sem ônibus rosnando ao meu redor, assito Homens de Preto 3, só que agora em uma sala digital, com cadeiras confortaveis, inglês razoável, ótimas legendas e em 3D.

No entanto percebo que 15 anos não me parece mais uma longa distância entre um filme e outro. Se o primeiro filme me fez perceber a necessidade de um bom inglês e o segundo me fez querer comprar um carro, esse terceiro me ensinou que o tempo é muito mais relativo do que imaginamos. E é isso mesmo que a terceira parte dessa divertida comédia sobre alienígenas usa como argumentação: o tempo. Com Will Smith (hoje não mais tão conhecido pela antiga série, mas sim por dramas como À procura da Felicidade“), Tommy Lee Jones (Capitão América)  e agora também no elenco Josh Brolin (Bravura Indômita), Jemaine Clement (Rio), Emma Thompson (Harry Potter e as Relíquias da Morte) e Michael Stuhlbarg (A Invenção de Hugo Cabret).

Posso falar sem dúvidas que MIB3 é o melhor da trilogia, e conseguiu se recuperar do fiasco que foi o segundo filme da série. Entretanto não é um filme que funciona sozinho, ele depende dos outros para que se possa dar sentido àquela divisão do governo, à relação entre K e J (que nesse filme se torna algo muito mais paternal) e o que são exatamente os ETs em nosso planeta.

As cenas que aparecem os astros pops atuais como ETs passa quase imperceptivel e foi algo que nos filmes anteriores teve um destaque maior (principalmente no segundo com o Michael Jackson, que deve ter voltado para seu planeta, tentando ser o agente M). Muitos esperavam pela aparição de Lady Gaga, Justin Bieber, entre outros.

Ele é muito mais um  “De volta para o Futuro” do que qualquer outro filme, pois grande parte dele se passa em 1969, ano onde o homem partiu para a Lua, alias, não somente essa referencia é dada, mas também personalidades da época podem ser vistas interagindo com os agentes da MIB. A ambientação do final dos anos 60 pode se justificar bastante o porque Homens de Preto 3 é um dos filmes mais caros do ano. Visualmente convence que aqueles personagens estão no passado.

Buscando salvar seu companheiro, J (Will Smith) faz uma viagem no tempo para avisar K (Tommy Lee Jones-2012/Josh Brolin-1969) do perigo alienígena conhecido como Boris, o animal, que fugiu da prisão e busca vingança. Apesar de ser muito bem construida, a história possui suas falhas, principalmente com lógicas de viagem no tempo, mas nada que prejudique o andamento do filme. Vale a pena dar um destaque ao personagem de Michael Stuhlbarg, o Griffin. É uma peça chave para que tudo possa fazer sentido.

Uma atenção especial é a qualidade da imagem, pois além de ter um ótimo 3D (destaque para a cena da queda de J do Empire State Building)  o filme é um dos  lançamentos do ano rodados em uma camera 4K (resolução de 4096 x 2048). Apesar dos cinemas nacionais não suportarem esse formato ainda, já dá para se ver uma diferença muito boa na imagem.

MIB é um bom filme. Tem um bom elenco, um ótimo vilão, um bom argumento para se ter uma continuação depois de tanto tempo. Se seu objetivo é se desligar do mundo e dar algumas risadas é uma ótima opção para o final de semana. Eu irei ver novamente mas atrás de uma cena que vi no trailer e não me lembro de ter visto no filme, e atrás dos easter eggs de devem ter de monte tanto em 1969 quanto em 2012.

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