Hotel Artemis | Crítica do Filme

Um gênero que acabou sendo relegado aos lançamentos em DVD, por conta de abordagens formuláicas pouco inspiradas, os filmes de ação de médio orçamento tem tido uma espécie de ressurgência na última década. Estúdios tem percebido o potencial de boas propostas com diretores desconhecidos e baratos. e filmes como “John WIck” e o recente “Upgrade” estão ganhando cada vez mais visibilidade com um público descontraído. “Hotel Artemis” tenta capitalizar neste bom momento com grande ambição, reunindo um elenco de peso em meio à uma trama de grande apelo.

E que elenco. É bom ver Jodie Foster carregando o protagonismo de um filme nos dias de hoje, assumindo uma personagem que já saiu de seus melhores anos e serve como uma figura mais madura e experiente em meio à tantos personagens impulsivos. Já vimos este esteriótipo milhares de vezes, mas normalmente atribuídos à atores masculinos que tiverem destaque no passado. Foster ainda demonstra a mesma aptidão para caracterizações engajantes e aproveita o espaço que lhe é dado pelo roteiro com eficiência.

“Hotel Artemis” é um filme composto por diversas tramas, interligados por um espaço contido, em estado contínuo de tensão. Sendo assim, parte de sua força viria justamente dos personagens serem interessantes o suficiente, o quê, na medida do possível, vão sendo construídos para ser. Dave Bautista mostra que é capaz de ser simpático o suficiente além de seu personagem em “Guardiões da Galáxia”, Zachary Quinto sempre entrega uma presença em tela comum aos seus personagens, Sterling K Brown demonstra que tem plena capacidade para carregar filmes de ação com charme e composição. Sophia Boutella (que merecia falas melhores) continua se estabelecendo como ótima candidata para qualquer papel que envolva cenas de ação no estilo “femme fatalle”, Charlie Day, por outro lado, ainda precisa escolher alguns papéis que fujam do seu típico personagem “engraçado por ser um babaca”.  E Jeff Goldblum é… bem, Jeff Goldblum.

O roteiro do filme é visivelmente empolgado, e se presta muito bem a dividir as tramas de seus diversos núcleos em uma estrutura funcional, capaz de engajar o espectador sem deixar os personagens irrelevantes. A empolgação, no entanto, não cobre aspectos mais exigentes do texto, apoiando-se demasiadamente em frases de efeitos repetidas à esmo (ao ponto de se tornarem irritantes), e diálogos extremamente artificiais e batidos. Seria difícil exigir de “Hotel Artemis” que seus personagens fossem substancialmente aprofundados ,ou que sua trama não fosse exposta de maneira tão meramente mecânica, mas seria ainda mais difícil ignorar todas as redundâncias e oportunidades mal exploradas que o roteiro apresenta, em função apenas da “diversão” descompromissada.

Hà diversos aspectos apelativos em “Hotel Artemis” que são capazes de atrair o grande público, e construir histórias originais em meio à tantas adaptações, sequências e deverivados que lotam os cinemas atuais. Temos um mundo futurista onde assassinos profissionais se associam à um hospital clandestino (o que já seria suficiente para captar a atenção de um espectador casual), e a trama ainda se passa em um momento de grandes riscos, com uma enorme rebelião tomando conta da cidade, no espaço de uma única noite.

O desenvolvimento da história, no entanto, acaba tornando-se cada vez mais franco, conforme os atos se avançam. Há uma construção conveniente, que termina em um clímax pouco impactante. Em parte, a falta deste impacto se deve à ausência de uma coordenação de ação tão envolvente quanto é o caso de “John WIck” (Stahelski teria um dia cheio com este filme), mas não podemos deixar de culpar o roteiro por suas viradas fracas, além de conclusões apressadas e pouco satisfatórias para os personagens que vinha apresentando até então. É um roteiro de filme B, pouco preocupado (ou, ao menos, pouco consciente) com sua falta de substância.

A fotografia do filme merece destaque, preenchendo bem os espaços sufocantes e penumbres do hotel. É responsável por atingir os tons necessários que complementam a trama com consistência, enaltecendo ambientes específicos e distiguindo algumas cenas através de uma melhor contextualização do que o roteiro foi capaz de proporcionar. Quando se percebe que a fotografia foi feita por Chung-Hoon Chung (mesmo responável pelo coreano “A Criada”), o trabalho acaba ficando inevitavelmente aquém de outras obras suas, que dispõem uma montagem mais cadenciada e suscetível às suas composições.

“Hotel Artemis” é um filme que não atinge seu potencial, em meio à um cenário próspero para suas intenções. Díalogos sofríveis e resoluções pouquíssimo inspiradas acabam deturpando o “estilo” que o filme tenta estabelecer, e limitando seus personagens. Pouco memorável, deve ser deixado de lado pelo público que está mais acostumado a aceitar tais falhas técnicas e oportunidades desperdiçadas em casos de grandes blockbusters da semana.



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