Jogador Número 1 | Crítica do Filme

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Sinopse:
Num futuro distópico, em 2044, Wade Watts (Tye Sheridan), como o resto da humanidade, prefere a realidade virtual do jogo OASIS ao mundo real. Quando o criador do jogo, o excêntrico James Halliday (Mark Rylance) morre, os jogadores devem descobrir a chave de um quebra-cabeça diabólico para conquistar sua fortuna inestimável. Para vencer, porém, Watts terá de abandonar a existência virtual e ceder a uma vida de amor e realidade da qual sempre tentou fugir.

Diretor: Steven Spielberg

Elenco: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, Simon Pegg, Mark Rylance, T.J. Miller, Hannah John-Kramen

Data de estreia:
29 de Março de 2018

Pouquíssimos diretores são capazes de gerar expectativa em público tão amplos quanto Steven Spielberg. O diretor é um dos cineastas mais influentes de não apenas uma, mas duas gerações de espectadores que já o cultuaram por filmes de gêneros distintos ( do denso “Monique” ao juvenil “ET – O Extraterrestre”.). Agora, o diretor retorna ao seu estilo característico para trazer a adaptação cinematográfica de “Jogador Número 1“, dialogando como uma sociedade que glorifica e se imerge em cultura pop.

“Jogador Número 1” c segue o molde não apenas perpetuado, mas também aperfeiçoado por Spielberg ao longo de sua carreira. Em uma típica Jornada do Herói, o personagem principal precisa deixar de lado a sua zona de conforto para adentrar uma batalha contra forças infinitamente superiores que planejam corromper aquilo que ele mais ama. A construção de personagens secundários também segue as típicas regras de filmes que contam com grupos adolescentes, embora acabe soando muito mais superficial, uma vez que o foco está sempre no andamento da trama.

Em um raro momento de diálogo pessoal, o personagem principal diz que “aqui fora” as coisas parecem ser mais mais lentas do que dentro do jogo. Deixando clara a proposta do filme, onde todas as cenas “virtuais” são exuberantemente lotadas de elementos visuais, esta é a cena onde está o real valor da discussão que surge com “Jogador Número 1”: Afinal, onde nós queremos estar? Entorpecidos pelo que está ao nosso redor, ou em paz com o quê realmente somos?

Infelizmente, o filme parece ir se deixando levar pela excitação da nostalgia e da sensação de pertencimento que a cultura pop proporciona. O resultado é deixar de lado qualquer reflexão mais profunda ou melhor ilustrada para dar espaço à estes sentimentos típicos do público alvo. A mensagem inicial ainda permanece no filme até fim, inclusive na última cena, onde fica explícito o quanto este questionamento da vida virtual está ali apenas por necessidade e responsabilidade social de uma obra como esta.

Mas como disse, o filme está completamente ciente de seu espectador, e já era esperado que Spielberg não deixasse a desejar no quesito “diversão”. Em diversos momentos, chega a ser difícil acompnhar a legenda do filme ao mesmo tempo em que tentamos absorver todos os detalhes deste mundo digital, onde as referências deixam de ser uma inspiração, e tornam-se aspectos propriamento ditos.

Longe de questionar a eficiência desta execução, me indago sobre o seu lugar dentro de qualquer obra. Até onde a cultura pop pode explorar a nostalgia e os elementos reconhecíveis de uma geração antes que estes se tornam apenas meras sombras do que um dia foram? De maneira semelhante, os pôsters e cartazes do filme trouxeram inspirações de cartazes famosos como “Matrix” e “De Volta para o futuro”, mas não pelo trabalho de suas linguagem visuais, e sim pela sua reconhecibilidade, apenas. Sai o conteúdo, em favor da familiaridade.

E tudo isso tem a ver com a tal sensação de pertencimento que citei anteriormente. O cérebro humano é comprovadamente programado para reconhecer padrões, então é plausível que assistir aquilo que já conhecemos traga um sentimento de conforto para o espectador. Mas do quê adianta sermos transportados para dentro de uma obra, se não sairmos dela minimamente alterados? De quê adianta buscarmos identidade, sem buscarmos a reflexão necessária para que ela seja, de fato, personalidade? O quanto podemos continuar produzindo apenas similaridades antes que a identidade se torne apenas, conformidade?

Trago aqui estas questões por quê acredito que o filme às faça surgir, mesmo que não acabe discutindo-as tão à fundo. Pode ser uma mera divagação de um amante do cinema que acompanha este cenário religiosamente, ou talvez uma oportunidade perdida de um diretor como Steven Spielberg de questionar um mundo que ele mesmo ajudou a criar.

Mas é verdade é que“Jogador Número 1” excede expectativas quando estamos falando da construção visual e da abordagem de elementos virtuais para criar empatia com o público. As atuações passam sem grandes problemas e a trilha sonora do filme, composta por Alan Silvestri, acompanha muito bem as cenas de ação e suas épicas proporções.

A todos aqueles que julgam o valor do seu ingresso pelo impacto sensorial ao final da sessão, tenho certeza que estarão mais do que satisfeitos pelo que pagaram. O escapismo em sua mais pura forma está intrinsicamente presente em “Jogador Número 1”, um filme que, ironicamente, poderia ter dicutido o tópico com inquestionável propriedade. Resta-nos pergurtarmos, como consumidores, se é isso que queremos ou não.

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