Megatubarão | Crítica do Filme

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Sinopse:
um submarino de águas profundas – parte de um programa internacional de observação subaquática – foi atacado por uma criatura gigantesca, que se pensava estar extinta. Agora, ele se encontra incapacitado no fundo da fossa mais profunda do Oceano Pacífico… com a tripulação presa dentro dele. Com o tempo se esgotando, o mergulhador especializado em resgates em águas profundas Jonas Taylor (Jason Statham) é recrutado por um visionário oceanógrafo chinês (Winston Chao), contra a vontade de sua filha Suyin (Li Bingbing), para salvar a tripulação – e o próprio oceano – desta ameaça incontrolável: um tubarão pré-histórico com mais de 20 metros de comprimento conhecido como Megalodon. O que ninguém poderia imaginar é que, anos antes, Taylor já havia encontrado esta mesma criatura aterrorizante. Agora, junto com Suyin, ele deve confrontar seus medos e arriscar sua própria vida para salvar todos os tripulantes… ficando frente a frente com o maior e mais poderoso predador de todos os tempos.Diretor
Jon Turteltaub

Elenco:
Jason Statham, Li Bingbing, Rainn Wilson, Ruby Rose, Winston Chao, Page Kennedy, Jessica McNamee, Ólafur Darri Ólafsson, Robert Taylor, Cliff Curtis, Sophia Shuya Cai e Masi Oka

Data de estreia:
10 de agosto de 2018

O fascínio do público por tubarões é algo muito curioso. Por mais que Spielberg tenha sua parcela de responsabilidade na consagração deste medo coletivo, existem alguns outros fatores que acabam explicando o por quê do cinema americano nunca deixar de olhar para filmes de tubarão como opções tentadoras. O maior destes fatores provavelmente é o fato de tubarões serem mortais, porém silenciosos, caçando debaixo da água com apenas um vislumbre de suas ações sendo vísivel para nós, as vítimas. É um filme de terror pronto na própria situação. Adicione Jason Statham, e nada poderia impedir “Megatubarão” de eventualmente chegar às telas do cinema.

“Megatubarão” quer sim, capitalizar em cima deste público aficionado pelas criaturas marinhas e seus perigos, mas (como tudo hoje em dia) tenta ir além na ação, no impacto visual e no carisma de suas estrelas. O filme segue uma estrutura comum do gênero, onde somos introduzidos à um grupo de especialistas que está perto de fazer uma grande (e irresponsável) descoberta. Ficamos conhecendo as peculiaridades de cada um, e suas dinâmicas entre si, proporcionando o um sentimento de inclusão para o espectador em meio à aventura.

Entra então, a estrela da vez. Jason Statham é um ator de presença, que não precisa nem mesmo enunciar alguma fala para impor respeito na audiência. Quando abre a boca então, exala testosterona, tal qual os grandes heróis de ação de décadas atrás. Em “Megatubarão”, ele cumpre o papel do herói relutante, abalado por sua consciência e seus valores morais, que é a única esperança do grupo de especialistas para poder controlar a criatura que mal conhecem.

O primeiro ato do filme entrega uma quantidade até que considerável de explicações “científicas” para contextualizar esta grande descoberta. Não ficamos com a sensação de que todos os personagens caíram de paraquedas nesta aventura, mas sim que há algumas implicações mais profundas para a trama e seus personagens. E então, chega a hora da carnificina.

Personagens vão morrendo ao longo do filme com resultados variados. Alguns servem muito bem o seu próposito, seja avançar a trama, ou provocar tensão no público. Enquanto outros acabam sendo esquecidos logo após uma morte súbita, porém sem a devida construção. É um trabalho comum em meio à filmes de desastres e monstros, onde os roteiristas precisam garantir que cada grande ato de horror atinja o impacto proposto. Ao menos, não é como se púdessemos garantir a vida de nenhum personagem (além do protagonista) logo de cara, deixando que a tensão se sustente além do que poderia se esperar.

No que diz respeito ao impacto visual em si, ou o chamado “gore” do filme, as entrevistas e notícias sobre a produção indicam que havia uma quantidade bem maior de cenas grotescas e mortes violentas na proposta original de “Megatubarão”, que acabaram não entrando na versão final para que o filme pudesse manter uma classificação indicativa mais acessivel. Esta falta é sim, perceptível durante o filme, onde vemos que há um foco muito grande nestas cenas aterrorizantes, mas a tensão só se eleva até um certo nível, como se houvesse realmente um limite para o quanto pode ser exposto para audiência em uma única sequência. Em um mundo repleto de Sharknados e Piranhas em 3D, fica díficil não sentir que este limite acaba depreciando o quê “Megatubarão” deveria ter sido quando captou a atenção dos realizadores.

As atuações são fracas, mas estão lidando com um roteiro que não está preocupado em construir diálogos sensatos ou reflexões relevantes. Não há muito espaço para brilhar além das poses de Jason Statham, embora todos os membros tendo seus momentos, guardadas as devidas proporções. A trilha sonora de “Megatubarão” é extremamente referencial, com diversas passagens sendo claramente influenciadas pelas composições empolgantes de filmes do gênero nos anos 70 e 80.  E a fotografia é genérica, funcional, porém muito melhor apreciada em IMAX.

“Megatubarão” é um filme simples, porém caro demais para funcionar como gostaria. Se preocupa com a técnica um ligeiro tanto a mais que seus companheiros do gênero, mas nunca abraça seus reais propósitos a ponto de conseguir exceder os principais requisitos de seu público. Havia potencial, mas o dinheiro falou mais alto. Ao menos, Jason Statham continua demonstrando que é perfeitamente capaz de carregar franquias de ação descompromissadas por si só.

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