O Destino de Júpiter | Crítica do Filme

Desde o fim da trilogia Matrix as irmãs Wachowski têm dificuldade em encontrar um caminho dentro de hollywood. Como produtores, foram responsáveis pelo ótimo “V de Vingança”, que se tornou um sucesso de público e crítica. Entretanto, como diretores e roteiristas, não conseguiram igualar o mesmo sucesso que de Matrix. “Speed Racer” e “A Viagem” foram ótimos trabalhos, mas talvez por focar em públicos mais específicos, acabou não tendo boas bilheterias. E talvez mirando justamente nesse problema, que O Destino de Júpiter chega aos cinemas, buscando dialogar um público muito mais abrangente do que suas empreitadas anteriores.

A premissa da história remete aos contos de fada clássicos. Jupiter Jones (Mila Kunis) é uma menina simples que trabalha como empregada doméstica nos Estados Unidos, país onde vive após deixar a Rússia. Certo dia ela descobre ser na verdade a reencarnação da matriarca de uma das mais poderosas famílias do universo, donas literalmente de toda a galáxia. E para protege-la e leva-la a assumir seu posto de direito, surge Caine (Channing Tatum), um guerreiro alterado geneticamente.

Se a história é simples, o mesmo não se pode dizer do cenário criado. Mais que complexo, ele é cheio de referencias de diversas ficções científicas, criando assim, uma mitologia que abrange desde a existência dos Greys (alienígenas cabeçudos e cinzas) até anjos, passando pelos reptilianos e toda a sorte de aliens. As ambientações também são ricas, cheio de detalhes e com aspectos marcantes.

Outro destaque é o design inventivo dos veículos, em especial as naves, deixando claras as influências dos animes japonês. Porém, todo esse cuidado muitas vezes é perdido com sequências de ação horríveis e CGs que beiram ao amadorismo. Porem, o ponto mais fraco do filme é mesmo o seu roteiro. As irmãs Wachowski tentam por diversas vezes explicar a trama que é extremamente simples. Muitas das ações e motivações dos personagens não fazem sentido, servindo apenas para dar prosseguimento à trama.

Os diálogos são sofríveis e em diversos momentos nem mesmo os atores parecem acreditar no que estão dizendo. No final, todos os elementos da trama ficam soltos e não consegue cativar o público. No final, o conto de fadas pós-moderno das irmãs Wachowski se perde ao não cuidar bem do seu roteiro. Problema agravado pelos imperdoáveis erros técnicos. E o que poderia ser a volta por cima dos Wachowski, se mostra apenas mais uma aventura descompromissada e fraca, que não faz jus aos últimos trabalhos das irmãs.

nota 1

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *