O Predador | Crítica do Filme

Shane Black nos trouxe mais uma adição à franquia “Predador”, que cresceu consideravelmente desde sua estreia nos cinemas, em 1987, com a estrela Arnold Schwarzenegger liderando um grupo de soldados em um embate contra o mais letal caçador do universo. O novo filme conta com alguns traços característicos do diretor, mas dificilmente consegue interligar sua proposta com suas execuções, adequadamente, em “O Predador”.

Em resumo, “O Predador” acompanha McKenna, um franco-atirador de elite após o seu envolvimento em uma missão secreta que, convenientemente, o colocou cara-a-cara com o Predador. O governo resolve (sem muita cerimônia) “sumir” com este soldado, forçando-o a enviar uma caixa com a máscara do novo predador para a casa de sua família, como uma forma de se proteger e corroborar suas alegações. Esta é a trama imediata do filme, que não parece contente com sua simplicidade, e adiciona uma segunda linha narrativa com a personagem de Olivia Munn, uma cientista e bióloga que não agrega muito ao filme em si (mas também, garanto que ela não está sozinha nesta falha).

O soldado acaba se envolvendo com um grupo de ex-militares “lunáticos” que compôem o resto do grupo de personagens que enfretará o grande antagonista nesta sua nova encarnação. Evidentemente, estão ali para fornecer diversos momentos de alívio cômico, e para desenvolver dinâmicas engajantes que mantenham a atenção do espectador. Muito de Shane Black pode ser visto na maneira como os diálogos deste grupo são executados em tela, mas raramente o humor do diretor consegue transparecer a mesma eficácia vista em outros de seus filmes. O ritmo e a abordagem de filmes como ” Kiss Kiss Bang Bang” e “The Nice Guys” não se traduz muito bem para o estilo, ou a proposta de “O Predador”.

Como se já não fosse suficiente, ainda temos Sterling K. Brown interpretando um cientista canastrão que serve como um antagonista secundário no filme, ainda que suas intenções e atitudes nem sempre constituam muita personalidade para seu personagem. E por fim, também acompanhamos alguns breves momentos do filho de McKenna, interpretado pelo jovem Jacob Tremblay. Todas estas linhas narrativas são interligadas sem muito compromisso, e movem a história de forma pragmática, porém preguiçosa na maior parte do tempo. Personagens somem em meio à cenas sem a contextualização apropriada, retornam com menos cuidado ainda, diversos objetos, armas e “McGuffins” (item de desejo dos personagens em um filme) são colocados em cena sem serem ressaltados adequadamente, e o que sobra é uma grande bagunça regada à muita sangue, em iluminações precárias.

“O Predador” é aquele típico filme B, feito com orçamento de filme A. O descaso pela coerência e pela construção narrativa é gritante, e o foco está claramente voltado para a composição de cenas visualmente impactantes e sequências emocionantes. No entanto, nom mesmo estas cenas e sequências são eficientes o suficiente para tornar o filme minimamnete memorável. Fãs da franquia devem se sentir satisfeitos com o ritmo do filme, que não perde tempo com longos respiros ou exposições substanciais, mas o aproveitamento acaba por aí.

Shane Black não traduz muito bem sua abordagem para um filme que não entrega o conteúdo necessário para o seu seu estilo de direção. Como diversão descompromissada, é possível que agrade aqueles que não estiverem dispostos a prestar muita atenção. gancho apresentado ao final do filme, porém, não deve levar a nada, visto que há pouco potencial na exploração desta franquia, com suas interpretações atuais.


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