Os Incríveis 2 | Crítica do Filme

 

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Sinopse:
Quando Helena Pêra é chamada para voltar a lutar contra o crime como a super-heroína Mulher-Elástica, cabe ao seu marido, Roberto, a tarefa de cuidar das crianças, especialmente o bebê Zezé. O que ele não esperava era que o caçula da família também tivesse superpoderes, que surgem sem qualquer controle.Diretor:
Brad Bird

Elenco: Craig T Nelson, Holly Hunter, Brad Bird, Samuel L Jackson, Bob Odenkirk, Catherine Keener, Sophia Bush

Data de estreia:
28 de junho de 2018

Nos deparamos mais uma vez com um filme que difícilmente poderia ser analisado apropriadamente sem antes deixarmos claro o seu contexto. Quando “Os Incríveis” foi lançado pela Pixar em 2004, o filme foi agraciado tanto pelo público, quanto pela crítica, que o considerou uma consolidação da frequente qualidade apresentada pelo estúdio, e da consequente expectativa gerada em torno de cada novo lançamento, até os dias de hoje. Sem sombra de dúvidas, era um patamar dificíl de ser alcançado por qualquer sequência, e “Os Incríveis 2” prefere não se arriscar muito além daquilo que deu certo com seu antecessor.

A decisão de colocar a trama da sequência imediatamente após os eventos do primeiro filme é um dos fatores que mostram como “Os Incríveis 2” procura se manter próximo do original. Boa parte da comédia do filme capitaliza em cima do interesse do público de ver “Zezé” com seus poderes em ação (o principal gancho deixado ao final de “Os Incríveis”). Boa parte da história também gira em torno de um dos pais precisando trabalhar enquanto o outro fica em casa com as crianças, mas desta vez, invertendo os papeis entre o Senhor Incrível e a Mulher Elástica.

“Os Incríveis” chegou aos cinemas em uma época onde os filmes de super-heróis estavam próximos de estourar, mas ainda não haviam se tornando o fênomeno que são hoje, 14 anos depois. Naquele tempo, a trama do filme chegava como um contra-ponto intrigante à maneira como superheróis são vistos pelo imaginário popular, fazendo alusões evidentes ao trabalho de Alan Moore na consagrada saga “Watchmen” (com uma admirável sensibilidade ao tratar o tema para um público mais jovem). Na sequência, no entanto, a reflexão parece ter estagnado tal qual o próprio periodo do filme e, anos depois, não traz o mesmo encanto para um público já ententido do gênero.

Há de se deixar claro que “Os Incríveis 2” não é, nem de longe, um filme ruim ou “fraco” como costumamos classificar sequências preguiçosas. O ritmo do filme, e as cenas de ação em sua grande maioria, são excelentes. Crianças e adultos poderão se divertir com as diversas sequências em que os personagens usam seus poderes de maneiras inventivas e emocionantes, com o filme aproveitando o avanço da tecnologia que esta nova era de animações vem apresentando. O mesmo se aplica à animação em si, onde texturas e ínfimos detalhes inevitavelmente acabarão captando a atenção do espectador.

No entanto, as inovações acabam por aí, e “Os Incríveis 2” parece obter sucesso em sua empreitada apoiado naquilo que já deu certo, ao invés do que apresenta de novo ao cenário. A trilha sonora de Michael GIacchino (tal qual o primeiro filme) é uma das grandes estrelas da produção. Responsável pelo tom característico da franquia, as composições evocam uma atmofera “noir” que provou-se essencial para a ambientação do filme original, e mantém-se eficiente na sequência, seja nos momentos de grandes embates, ou mesmo consistentemente nas cenas de ambiente familiar.

Os personagens em si, também carregam o peso que conquistaram 14 anos atrás sem muitos problemas. Longe de trazerem o mesmo fascínio de antigamente, a família Pêra mantém o seu carisma e identifcação com o público (No Brasil, auxiliados por uma dublagem que busca termos mais contemporâneos para a comédia). A sensação nostálgica de observar estes queridos personagens em ação é alcançada sem esforço algum, mas percebe-se uma grande dificuldade em mover os personagens além do que já foi construído em “Os Incríveis” .

Toda esta dependência apresentada por “Os Incriveis 2” não deve ser confundida com casos clássicos em que uma sequência aposta todas as suas fichas na nostalgia e no “fan-service” para com o público. O novo filme utiliza seus personagens clássicos com prudência e se propõe a apresentar novos personagens que, apesar de pouco explorados, são capazes de trazer um singelo frescor à franquia. Ainda assim, a reciclagem de tramas e temas faz com que “Os Incríveis 2” se pareça muito mais com um episódio padrão de uma série de televisão sobre a família super-poderosa, do que um grande blockbuster.

“Os ìncríveis 2” é um filme satisfatório, que poderia ter sido feito na década passada e tornaria-se, assim, incrivelmente mais relevante do que na era atual da Marvel Studios e grandes protagonistas femininas. Não há dúvidas quanto a diversão, que com certeza valerá o preço do ingresso. Esta é a sequência que os fãs esperaram 14 anos para contemplar? Muito provavelmente, sim. Mas poderia ser muito mais.

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