Reino Escondido | Crítica do Filme

Enquanto assistia à nova animação da Blue Sky, muito me passou alguns questionamentos que faço quando consigo captar alguma referência a algum material do mesmo universo que pertence o filme que estou assistindo. Lembro-me em 2003 quando assisti ao animado Irmão Urso da Disney no qual pegou diversos elementos que deram certo nos filmes da empresa nos anos 90 e fizeram um poo pourri de cenas referencias na trama. Mas até aí, onde termina a referência e onde começa o plágio?

Em Reino Escondido, se você é um fã de desenhos animados facilmente irá encontrar diversas referências aos próprios animados da Disney dos anos 90 e certamente irá relembrar com muito saudosismo do clássico da sessão da tarde Querida Encolhi as Crianças. Epic, como seu título em inglês já nos sugere é uma aventura fantástica repleta de elementos míticos e criatura invisíveis da floresta.

O filme, que é destinado a um público mais novo, trabalha muito levemente a temática da perda. Uma menina que perdeu a mãe, um velho cão que perdeu uma pata,um reino que está prestes a perder a vida. Apesar disso não ser novo dentro dos temas levantados em animações,  Reino Escondido consegue fazer de uma forma sutil sem deixar cair no drama que geralmente força arrancar lágrimas do público.

Na trama, uma adolescente que perdeu recentemente sua mãe vai morar com seu pai que vive em uma velha casa corroída por cupins no meio da floresta. Na mais caricata roupagem de cientista louco, seu pai trabalha há anos na tentativa de descobrir a vida de minúsculos habitantes da floresta, porém suas poucas provas só o fazem ser visto como um completo louco. Enquanto pai e filha tentam encontrar um laço vivo na relação, os pequenos guerreiros que vivem na floresta lutam para defender sua rainha de forças ocultas que visam destruir a natureza e a vida dessas criaturas. Quando o mau ameaça ser maior, magicamente a filha do cientista é encolhida e incorporada na épica guerra travada dessas criaturas com os vilões da floresta.

No geral o filme é bem interessante, principalmente pela brincadeira de imaginar como viveriam os humanos se minúsculos. Há tempos não tínhamos essa temática nas  telas. Transpira uma inocência dos filmes infantis oitentistas. Entretanto poucas são as cenas que temos referencias de objetos em tamanho real com o tamanho dos mini-humanos. Não dá para ignorar também o fato de termos um antagonista sem uma motivação inicial muito clara, apenas quer acabar com a vida da floresta e ponto.

Eu acho curioso como algumas animações seguem fórmulas. No caso de Epic temos entre elas o personagem mágico que é o responsável por designar a missão à protagonista, temos a dupla de personagens não humanos que são fuga a cômica para deixar o andamento da trama mais leve e temos também o conflito de gerações entre o herói e seu guardião legal, já que, como já é praxe, o herói é órfão.

Mas no que o filme perde nas fórmulas de roteiro, ganha em visual. Possui design de personagens muito interessantes e uma fluidez que conversa facilmente os personagens humanos com os não humanos. O cachorro ao mesmo tempo que aparece assustador para as criaturas da floresta, consegue ser carismático grande parte do tempo. Infelizmente o papel do pai da garota não toma grandes proporções na trama. Se torna boa parte do tempo dispensável, assim como a inclusão de uma personagem que toma o posto de outra no decorrer do filme. Ela está ali apenas em uma cena no começo e em uma cena no final, sem grandes explicações, apenas fazendo a platéia aceitar a conclusão.

Reino Perdido é uma animação que vale a pena ser conferida, mas mais pelas lembranças que ela trás para os fãs de animação. Possui personagens carismáticos porém pouco explorados dentro da trama e um vilão que é quase desnecessário para os perigos que a pequenez já trás naturalmente. Infelizmente não tive a oportunidade de conferir as vozes originais de Steven Tyler, Amanda Seyfried e Beyoncé, mas Daniel Boaventura e Murilo Benício fazem bem o papel que são designados.

nota 3,5

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *