Sharp Objects | Primeiras Impressões

Durante uma sessão fechada para jornalistas, a HBO revelou os dois primeiros episódios da mais nova série estrelada por Amy Adams, “Sharp Objects”. A série carrega a expectativa de ser a mais nova adaptação de uma obra escrita pela autora Gillian Flynn, que ficou famosa após a adaptação dirigida por David FIncher do livro “Gone Girl”. 

Outra grande influência na produção da série vem do sucesso de “Big Little LIes“, tanto com o público quanto com a crítica. Ambas giram em torno de personagens femininas complexas lidando com o suspense e a tensão de acontecimentos perturbadores em suas comunidades julgadoras. Tais referências ficam explícitas em “Sharp Objects”, que procura reproduzir a atmosfera narrativa de Fincher ao lado da fotografia e montagem de “Big LIttle Lies”.

Com apenas dois episódios, pouco pode ser dito sobre a estrutura ou qualquer grande revelação da trama em si. Somos apresentados à personagem principal, mostrando que a principal atração fica por conta de Amy Adams interpretando um papel não tão comum à sua carreira. Diferente de personagens muito mais compostos à frente de problemas traumatizantes (como vimos em “A Chegada” e “Animais Noturnos”), a protagonista de “Sharp Objects” é assombrada por seu passado em sua cidade natal, e voltou-se intensamente para o alcoolismo e a auto-mutilação.

Consagrada como uma das mais cobiçadas atrizes trabalhando atualmente em Hollywood, Adams é capaz de engajar qualquer espectador que esteja acostumado a acompanhar seu trabalho, simplesmente pelo contraste desta nova personagem. A atriz prioriza o ressentimento da personagem com a cidade e as pessoas ao seu redor com sutileza, ao mesmo tempo em que exibe os conflitos internos que o esteriótipo detetivesco de um protagonista jornalista necessita para criar intriga apropriadamente.

Os maiores atrativos da série, no entanto, acabam por ai. Nesta tentativa de emular as sensações produzidas por FIncher em “Gone Girl”, os dois primeiros episódios avançam a trama com extrema cautela, e se dispõem a construir o cenário deste mistério com muito mais dispersão do que poderiamos esperar de um filme. A intenção, claramente, é estabelecer uma dinâmica essencial para que o mistério vá sendo desenvolvido de maneira gradativa. Uma abordagem louvável, com certeza, mas dificil de se estabelecer na televisão.

A série não se esforça para manter a atenção do espectador, preferindo deixa-lo sob a perspectiva de um observador que deve estar atento às passagens corriqueiras desta pequena comunidade. Tal atenção é recompensada por ligeiros vislumbres de um passado que constantemente atormenta a personagem principal durante suas reflexões não-verbais. Por mais intrigante que o mistério venha a se tornar na série, será difícil manter o engajamento do público com desenvolvimentos tão pouco matizados a cada episódio.

Nestas duas horas iniciais, no entanto, toda a simplicidade com que a trama é tratada contrasta com a intensidade que os vícios e distúrbios da personagem principal são retratados. Ao final, fica a sensação de que “Sharp Objects” está muito mais interessada em exibir a atuação de Amy Adams, do que no desenvolvimento da trama em si.

A fotografia e montagem, semelhantes ao que vimos em “Big Little Lies”, também se mostra problemática para manter o espectador engajado. DIferente de “Big Little Lies”, “Sharp Objects” não possui diversos núcleos exploráveis que podem ser usados para quebrar a monotonia da narrativa, ou ambientes tão atrativamente sofisticados para ilustrar com a fotografia.

Essencialmente, “Sharp Objects” é uma produção de relativo díficil consumo. Pode, com certeza, tornar-se muito mais recompensadora uma vez que esteja com sua narrativa completa. Mas até lá, a atenção exigida se mostra pouco justificada para um público casual.

Fãs de Amy Adams, esqueçam tudo, e assistam com prazer.

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