Sicario: Dia do Soldado | Crítica do Filme

 

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Sinopse:
Depois de Scicario – Terra de Ninguém, acompanhe o misterioso Alejandro Gillick (Benicio Del Toro) e o oficial da CIA, Matt Graver (Josh Brolin), trabalhando juntos em uma audaciosa ação secreta. Na missão que envolve a filha de um chefão das drogas, Isabelle (Isabella Moner), Alejandro acaba se vendo em uma encruzilhada moral e suas escolhas podem acabar desencadeando uma sangrenta guerra de cartéis..Diretor:
Stefano Sollima

Elenco: Benicio Del Toro, Josh Brolin, Isabela Moner, Catherine Keener, Jeffrey Donovan, Matthew Modine, Shea Whigham, Manuel Garcia Ruffo

Data de estreia:
28 de junho de 2018

 

Mais uma daquelas sequências que ninguém pediu,Sicario: DIa do Soldado tinha a difícil tarefa de suceder um dos filmes mais aclamados do diretor Dennis Villeneuve:Sicario: Terra de Ninguém”. Para diminuir ainda mais a expectativa, Villeneuve deixou claro que não retornaria para a direção, e Emily Blunt (protagonista do primeiro filme) também ficaria de fora. E ai, veio primeiro trailer…

Sicario: Dia Do Soldado soube virar a maré ao seu favor, apostando exatamente naquilo que as ausências mencionadas agregariam naturalmente ao filme. Sem Villeneuve, apostava-se que o filme não trouxesse a mesma sutileza ou a atmosfera que o cineasta prezava. Já sem a personagem de Blunt (que, no primeiro filme, representava uma restrição e um questionamento à amoralidade da trama), seria condizente com a narrativa acreditar que os personagens de Benicio Del Toro e Josh Brolin retornariam ainda mais violentos e inescrupulosos.

Pois bem, tais especulações se concretizaram.

O primeiro ato deSicario: Dia do Soldado é, com certeza, um dos começos mais impactantes que presenciei no cinema em 2018. O choque e a visceralidade das passagens iniciais permanecem com o espectador, e reverberam durante toda a trama. Não estou falando apenas de um choque visual, mas sim de exposições perturbadoras e abordagens tenebrosamente frias de temas atualmente difíceis de serem retratados.

Retornam então, os personagens de Del Toro e Brolin. O resígnio do primeiro é interrompido quando o personagem de Brolin o encontra para envolvê-lo em uma operação especial “ultra-secreta”, onde ele diz que desta vez, eles irão operar “sem regras” (essencialmente, sem Emily Blunt). O arco do personagem de Brolin é sutil, mostrando o personagem tendo que encarar a realidade de seu cenário recorrente. É atráves dele que nós, espectadores, somos capazes de traçar os paralelos mais relevantes com o primeiro filme.

O personagem de Del Toro, por outro lado, segue um arco mais expansivo, que muitos poderiam, inclusive, classificar como incompleto. Sua trama de vingança retorna do primeiro filme inalterada, e permanece desta forma ao final de “Sicario: DIa do Soldado”, deixando um gancho explícito para a terceira parte desta que, agora, é uma franquia.

O acompanhanto narrativo mais satisfatório se dá, então, atráves do desenvolvimento dos personagens secundários juvenis que se vêem parte deste cenário horrendo, dominado pelos cartéis mexicanos na fronteira dos EUA. Isabella Moner (de Transformers: O Último Cavaleiro) dá vida à filha mais nova de um grande líder de cartel (convenientemente, o mesmo responsável por matar a família do personagem de Del Toro). Isabel , junto ao jovem interpretado pelo ator novato Elijah Rodriguez,  são os personagens que mais sofrem mudanças drásticas em suas condições e atitudes.

A atmosfera de intriga e delicadeza temática que Villeneuve implementou no primeiro filme ainda podem ser vislumbradas em Sicario: Dia do Soldado, mas suas sutilezas se dissipam perto da intensidade com que a trilha e a montagem abordam esta nova, e mais violenta, história. Há poucos, porém eficientes, momentos de respiro durante a trama, com alguns alívios cômicos de sarcasmo e exposições políticas irônicas.

“Eles eram de Nova Jersey” é a fala que define a proposta deSicario: Dia do Soldado”. No primeiro filme, o cinismo apresentado pelo roteiro de Taylor Sheridan ao abordar a fronteira dos EUA e as políticas do pais conquistou a atenção da crítica. Na sequência, começamos o filme com muito mais nacionalismo e idealismo do que terminamos, e neste momento em que a “narrativa” política da trama é virada de cabeça pra baixo, é quando percebemos o quanto o novo roteiro de Sheridan ainda pretende dialogar com seu antecessor.

O novo filme poderá ser descrito por muitos como um “filme de ação real”, onde não faltam momentos excitantes e acelerados, mas seus pesos não são subestimados. O trauma destas situações não é deixado de lado com os personagens, e as consequências políticas, por mais mirabolantes que possam parecer,  fogem de uma representação absurda mais estimulante.

Acompanhado pela trilha de constante tensão, Sicario: DIa do Soldado agradará um público que não costuma gostar de filmes de ação pela sua falta de verossimilhança. Com uma abordagem diferente, mas temas complementares, a sequência é um ótimo experimento que expande a franquia para caminhos interessantes. Faltou-lhe apenas, um final conclusivo, que deverá vir em alguns anos com a terceira parte.

 

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