Te Peguei | Crítica do FIlme

 

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Sinopse:
Desde a primeira série na escola um grupo de cinco amigos têm um hábito curioso, que realizam pelo menos uma vez ao ano: brincar enlouquecidamente de pega-pega, correndo em uma partida alucinante para ser o último homem de pé ao final da brincadeira, arriscando seus empregos e relacionamentos. Neste ano, que coincide com o casamento do jogador invicto da trupe, eles farão de tudo para derrubá-lo no momento de vulnerabilidade.DiretorJeff TomsicElenco:
Ed Helms, Jake Johnson, Annabelle Walls, Hannibal Buress, Isla FIsher, Rashida Jones, Leslie Bibb, John Hamm, Jeremy Renner

Data de estreia:
23 de agosto de 2018

 

Comédias americanas constituem um gênero extremamente explorado desde o começo do século passado. Com tantas reinvenções e novas abordagens, as comédias foram sendo divididas entre o humor de nicho, e o apelo ao público geral, gerando produções de grande sucesso como a franquia “American Pie” ou “Se Beber não Case”, e filmes mais “cult” como “O que Fazemos nas Sombras”. Os filmes direcionados ao grande público acabaram sofrendo com a abrangência necessária, mas as vezes surgem boas produções, com propostas interessantes, como é o caso de “Te Peguei”.

O filme traz um elenco misto de atores comuns a comédia, e outros nem tanto, com Jeremy Renner, Ed Helms, John Hamm, Hannibal Buress, Jake Johnson e Isla Fisher assumindo os papéis principais. A história gira em torno de um grupo de amigos que vem jogando o mesmo jogo de “pega-pega” desde que eram crianças, com diversas regras tendo sido implementadas ao longo do tempo para tornar o jogo viável em suas vidas adultas. O roteiro introduz muito bem a dinâmica entre os personagens principais, e estabelece as personalidades de cada um eficientemente.

“Te Peguei” é um típico filme que parte de uma ótima ideia. Uma ideia original, que ainda carrega o peso de ter sido baseada em fatos reais. Com boas ideias, tudo se resume à qualidade da execução, e das abordagens que o diretor pretende empregar para tornar esta ideia engajante além do primeiro ato. Com um elenco talentoso e carismático, parte deste trabalho já está encaminho, restando costruir uma narrativa que proporcione viradas com o impacto necessário para tornar a história memorável.

Aproveitando a peculiaridade da trama, o filme procura manter um tom mais descompromissado com as situações mirabolantes que os personagens proporcionam, e equilibra atmosfera realista com os momentos mais absurdos da história (tal qual “Se Beber Não Case” conseguiu fazer tão bem).

Boa parte do filme traz viradas eficientes na trama, capturando a atenção do espectador e elevando o peso desta jornada além de um mero jogo infantil. O personagem de Helms explica que o personagem de Renner vai se aposentar após este jogo e, por isso, devem fazer de tudo para que ele não se aposente sem nunca ter sido “pego”.  A narrativa segue com objetivos claros e um ritmo bem orquestrado nos dois primeiros atos, mas acaba não tendo a mesma inspiração ao final.

“Te Peguei” apresenta a seguinte mensagem: “Não paramos de brincar por que crescemos. Crescemos por que paramos de brincar”. É uma mensagem válida, bem transmitada ao longo da história, mas eventualmente acaba sobrepondo os peculiaridades da trama que tanto fazem o filme se destacar em meio ao gênero. O que mais incita o espectador, são as maneiras mirabolantes e paranóicas como personagens tentam capturar, ou escapar de seus oponentes no jogo. Ao colocar a mensagem em primeiro plano, boa parte do potencial desta trama acabou ficando de lado.

O mesmo pode ser dito pelas viradas finais do filme, que embora sejam funcionais, acabam perdendo um pouco da memorabilidade que vinha sendo construída até então. Parte disso, eu acredito, se dá pelo fato desta ser uma história real, e dos produtores terem se porposto a homenagear o espírito de suas inspirações, ao invés de explora-lo para efeitos cômicos.

Vale ressaltar, também, o trabalho de fotografia  e montagem do filme, que utiliza alguns recursos interessantes para cenas mais elaboradas em meio à toda a perseguição. Os momentos em que o personagem de Renner “congela o tempo” para conseguir planejar seus próximos movimentos são pontos altos do filme.

“Te Peguei” é uma comédia eficiente, com uma proposta muito atraente, regularmente bem executada, porém com conclusões seguras demais. Vale a pena para todo tipo de público que deve encontrar o filme por causa de seu elenco, e embora não seja tão memorável quanto os maiores gigantes da comédia destas útlimas décadas, seria capaz de gerar uma possível franquia com seus personagens.

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